Leitora de chinês da Universidade do Minho prepara dicionário multimédia
Arquivo Lusa 1999
Braga, 16 Jul (Lusa) - O ensino de chinês em Portugal, dadas as características simultaneamente fonéticas e visuais da língua, necessita de um metido cientifico-pedagógico em versão multimédia, defendeu hoje a leitora de Chinês da Universidade do Minho, Sun Lam.
A investigadora, que está a preparar um produto multimédia no âmbito do doutoramento em Língua Chinesa que faz na Sorbonne em Paris, considera que "o chinês não pode ser ensinado com os métodos de uma língua indo-europeia, já que á uma língua que também se olha".
O +dicionário+, que poderá vir a ser editado pela Fundação Oriente - a entidade que está a apoiar a realização do doutoramento - abrangerá um universo básico de 400 caracteres, o número que é considerado mínimo para o início da compreensão do chinês.
"O método que estamos a construir, em cooperação estreita com os alunos, realça a importância da escrita em relação as outras capacidades linguísticas", referiu, salientando que "a melhor forma, senão mesmo a única, de aprender chinês e através da escrita e das suas técnicas".
Para Sun Lam, que fundou o Centro de Língua e Culturas Orientais da Universidade, "a escrita chinesa e uma espécie de espelho, uma antropologia viva do povo chinês e da sua maneira de exprimir o mundo, pelo que o programa multimédia em preparação tenta visualizar a forma como o chinês vê o mundo".
O programa multimédia associa a escrita, os caracteres, as imagens reais, muitas delas captadas na realidade quotidiana da China, e desenvolve um sistema de aprendizagem da caligrafia de modo a que o aluno possa, sozinho, perceber o movimento dos pincéis.
Radicada há 10 anos na Universidade do Minho, em Braga, vinda da Universidade de Macau para fazer um Mestrado em Educação, Sun Lam criou o primeiro curso de Língua Chinesa numa Universidade em Portugal, de onde saíram já 150 alunos com capacidade para ler e escrever o chinês basico.
No corrente ano lectivo, o Curso vai enviar oito alunos a Pequim, seis dos quais para frequentar o Instituto de Língua Chinesa para estrangeiros e dois para participarem em seminários e estágios da União Europeia.
"Defendo que Portugal, que mantém relações com a China através de Macau há 400 anos, tem obrigação de abrir mais os olhos para a realidade chinesa, e que isso pode ser feito através das universidades", disse.
Sun Lam manifestou-se "satisfeita" com o crescimento do número de instituições universitárias que estão a fomentar a língua e cultura chinesas em Portugal.
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