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Hong Kong: Reino Unido condena reação “desproporcionada” das autoridades

Londres, 01 out 2019 (Lusa) -- O Governo britânico considera "desproporcionado" o uso de balas reais pela polícia de Hong Kong, que hoje feriram no peito um manifestante pró-democracia, pedindo restrição a ambas as partes.


A polícia de Hong Kong feriu hoje no peito um manifestante pró-democracia, com uma munição real, no dia em que se celebram os 70 anos do regime do Partido Comunista, com confrontos nas ruas que já provocaram dezenas de feridos e centenas de detenções.


"Embora não haja desculpa para a violência, o uso de munições reais é desproporcional e apenas pode agravar a situação", disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, num comunicado, reagindo aos acontecimentos.


O chefe da diplomacia do Reino Unido pediu "diálogo construtivo" e "contenção" quer da parte dos manifestantes quer da parte das autoridades da antiga colónia britânica.


Apesar de a polícia ter proibido manifestações no dia nacional da China, multiplicaram-se os apelos para que a população de Hong Kong saísse de novo à rua para exigir reformas democráticas no território.


O Governo de Hong Kong retirou já formalmente a polémica proposta de emendas à lei da extradição, na base da contestação social desde o início de junho.


Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.


A transferência da soberania de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".


Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial chinesa foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.



RJP (ANE/JMC) // EL


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