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Foco dos turistas chineses em Macau nas apostas dificulta diversificação económica – analistas

Macau, China, 22 mai 2019 (Lusa) - Analistas contactados pela Lusa consideram que Macau tem dificuldade em diversificar a sua oferta turística 'não jogo' porque os visitantes são na sua grande maioria chineses, cujo foco está centrado nas apostas.


"Os chineses que vêm aqui não são muitos sofisticados e não estão preparados para gastar dinheiro que os consumidores norte-americanos e os europeus estão", afirmou o analista e presidente da empresa de consultoria de 'resorts' integrados Intelligencia, Andrew Pearson, à margem na sua intervenção da 13.ª Global Gaming Expo Asia (G2E Asia), que decorre em Macau.


"Isso provavelmente vai melhorar nos próximos cinco, dez, 20 anos, mas para Macau já é visto como um destino de jogo e menos como um destino de entretimento" ao contrário de Las Vegas, onde existem restaurantes, exposições, espaços de lazer e os consumidores estão dispostas a investir tempo e dinheiro em 'não jogo'.


"Já existem alguns restaurantes e entretimento em Macau, mas não é comparado com Las Vegas, onde qualquer casino tem vários restaurantes de chefes renomados", frisou.


Segundo a Direção dos Serviços de Finanças do território, os 106.781 milhões de patacas em impostos diretos sobre o jogo arrecadados em 2018 representaram 79,6% da totalidade das receitas públicas de Macau.


Já o professor em Gestão Internacional de 'Resorts' Integrados da Universidade de Macau, Glenn McCartney, lembrou que "cerca de 75% dos turistas em Macau são chineses", de um total de cerca de 36 milhões no ano passado.


Em declarações à Lusa, Glenn McCartney afirmou que as autoridades devem trabalhar na "marca Macau e em como colocar Macau no mapa regional e mundial", de forma a angariar turistas de outras regiões.


Os concessionários e o Governo, defendeu, têm de chegar "a um consenso e fazer uma marca: quando olhamos para Las Vegas e vemos o sinal toda a gente sabe o que isso quer dizer".


"O setor público e o privado têm de trabalhar em conjunto", de forma a estimular a marca Macau, referiu.



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Lusa/Fim