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Finanças garantem “sem sobressaltos” 500.º aniversário da Misericórdia de Macau em 2069

Num gesto simbólico de celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas o Hotel Grand Lisboa mudou a iluminação da sua fachada para as cores verde e vermelho em representação das cores da bandeira portuguesa, Macau, China, 10 de junho de 2018. CARMO CORREIA/LUSA

 

 

A atual saúde financeira da Santa Casa da Misericórdia de Macau garante em 2069 a comemoração, “sem sobressaltos”, do seu 500.º aniversário, disse à Lusa o provedor da instituição que assinala este mês 450 anos.

“Estamos em condições sólidas financeiras, por isso me atrevo a dizer [que], com as condições que estão criadas, com o reconhecimento do Governo e autoridades da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] e da sociedade civil esta Santa Casa [da Misericórdia] tem condições para celebrar sem sobressaltos o seu quinto centenário em 2069, não tenho dúvidas disso”, sustentou António José de Freitas, em entrevista à agência Lusa.

Com um orçamento superior a 70 milhões de patacas (7,7 milhões de euros), com uma despesa mensal em salários superior a três milhões de patacas (próximo do valor que a instituição arrecada das rendas do seu património imobiliário), o subsídio que a Santa Casa da Misericórdia recebe do Governo “representa apenas cerca de 25%”, explicou.

A obra social da Misericórdia em Macau abrange áreas como o apoio a deficientes, idosos e crianças.

Um centro de apoio a invisuais (80), um lar (135), uma creche (258) e uma loja social são estruturas que traduzem a atividade social da instituição que tem mais de 180 funcionários.

António José de Freitas salientou que a obra social da instituição “é inacabável”, mas recordou com orgulho que é a única sobrevivente na Ásia: “todas elas sucumbiram no tempo e esta é a única que permanece viva e atuante”.

As comemorações da Santa Casa da Misericórdia de Macau, fundada em 1569 pelo bispo Belchior Carneiro têm lugar entre 13 e 18 de maio, marcadas ainda pela inédita realização do XII Congresso Internacional da Confederação Internacional das Misericórdias.

“São eventos que, pelas suas caraterísticas e simbolismo, vão decerto contribuir para projeção do nome e imagem de Macau, que se pretende afirmar como uma cidade de uma singularidade histórica, para mostrar que Macau é uma cidade de bem-fazer”, sublinhou António José de Freitas.

“A história da Santa Casa da Misericórdia de Macau confunde-se com a do próprio território de Macau, outrora sob administração portuguesa, hoje Região Administrativa Especial da República Popular da China”, segundo a instituição na sua página na Internet.

Inicialmente designada de "Confraria e Irmandade da Misericórdia de Macau", foi criada poucos anos após a fundação de Macau, como entreposto português.

O fundador, o jesuíta Belchior Carneiro, esteve mesmo ligado à fundação do Senado, em 1853, a primeira instituição política no território.

Nesse período, a instituição “contribuiu para a implementação de taxas organizadas sobre diversas atividades até então não reguladas, funcionou como banco, emprestando dinheiro, e promoveu uma lotaria muito popular”, pode ler-se no site da Santa Casa da Misericórdia de Macau.