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Fim do apoio de Taiwan provocou aumento de malária em São Tomé e Príncipe

epa05684184 Pedestrians walk past a Taiwanese national flag at a road crossing in Taipei, Taiwan, 21 December 2016. According to reports on 21 December 2016, Taiwan said that Sao Tome and Principle - one of Taiwan's 22 diplomatic allies - cut ties with Taipei to recognize China. Taiwan's Presidential Office blasted China for using dollar diplomacy to lure away Sao Tome and Principe when the Western African nation is in financial crisis. China's Foreign Ministry welcomed Sao Tome and Principle's 'returning to the correct road' of the 'one China policy,' which says that there is only one China, andTaiwan is part of China.  EPA/DAVID CHANG

 

O aumento dos casos de malária em São Tomé e Príncipe acentuou-se depois do fim da cooperação com Taiwan com o país africano, que decidiu reconhecer a República Popular da China, disse fonte do Ministério da Saúde.

Em dezembro de 2016, São Tomé e Príncipe decidiu reconhecer a República Popular da China, uma decisão que implicou, de imediato, o fim das relações com Taiwan, uma imposição de Pequim aos seus parceiros diplomáticos.

Durante dez anos, Taiwan deu apoio a São Tomé na área da formação, infraestruturas e da saúde, com particular destaque para o combate à malária.

No sábado, o ministro da saúde de São Tomé e Príncipe admitiu que os casos de malária no país têm aumentado nos últimos anos, registando-se três centenas de casos por ano.

A malária, “desde 2014, tem aumentado até 2018. Nós temos o trabalho feito, conhecemos os números e em média foi aumentando 290 a 300 casos por ano”, disse Edgar Neves no final de um encontro no sábado com responsáveis de vários setores.

Há cerca de dez anos, o país estava a caminho da erradicação da doença, recordou Edgar Neves, admitindo que o sistema de saúde começou a apresentar falhas nesta matéria.

“Houve um determinado momento em que as fraquezas aumentaram por razões de vária ordem política”, disse o ministro.

Fonte do ministério da saúde explicou hoje à Lusa que o número de casos começou a aumentar “poucos dias depois de a missão médica de Taiwan ter deixado o país”.

“Houve grande intervalo entre a saída dos taiwaneses e entrada dos chineses nas campanhas que se vinha fazendo de controlo da doença”, explicou.

Então, “algumas atividades foram suspensas e o quadro complicou-se, porque, por coincidência, foi um período de grandes chuvas que aumentaram os focos das águas paradas que deixaram de ter tratamento”, disse a mesma fonte.

Edgar Neves prometeu “divulgar mais elementos” sobre a malária nos “próximos dias” já com números e locais mais afetados, adiantando que “nas primeiras semanas de janeiro houve um aumento” de casos, mas “tudo está sendo feito no sentido de controlar a doença”.

 

300 novos casos por ano

 

Os casos de malária em São Tomé e Príncipe aumentaram nos últimos quatro anos, registando-se três centenas de casos por ano, disse também Edgar Neves.

"Desde 2014, [a malária] tem aumentado. Nós temos o trabalho feito, conhecemos os números e em média foi aumentando 290 a 300 casos por ano”, disse Edgar Neves, no final de um encontro no sábado com responsáveis de vários setores.

“É importante que as populações estejam informadas, porque só assim poderão também exercer o seu papel. É importante não ocultar informação nenhuma sobre qualquer patologia, mas também é muito importante não criar falsos alarmismos que não conduzem a lado nenhum”, defendeu.

O ministro da Saúde considera a situação “preocupante”, prometendo investimento do governo no combate e prevenção da doença.

“Nós somos um país eleito entre os dez destinos turísticos do mundo e é extremamente importante que nos acautelemos”, disse, defendendo mudança de comportamento por parte das pessoas e instituições no país.

Nesse sentido, o executivo iniciou há uma semana, um ciclo de reuniões com autarquias e órgãos públicos de comunicação social para “preparar uma estratégia” de combate à doença.

“Nos elegemos os programas nacionais de luta contra a malária e do HIV Sida e tuberculose como eixos centrais de política do governo. O combate a essas doenças, particularmente a malária é um processo que envolve todas as forças ativas do país, a sociedade civil o governo e os órgãos de soberania”, disse Edgar Neves.

Edgar Neves prometeu “divulgar mais elementos” sobre a malária nos “próximos dias” já com números e locais mais afetados, adiantando que “nas primeiras semanas de janeiro houve um aumento” de casos, mas “tudo está sendo feito no sentido de controlar a doença”.