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Ex-líder de instituto de Macau acusado de envolvimento em esquema ilegal de imigração

Macau, China, 05 jul 2019 (Lusa) - O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) acusou hoje o ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) Jackson Chang de envolvimento num esquema ilegal para obtenção de residência.


O CCAC confirmou ainda a detenção de Jackson Chang e a aplicação de medida de coação de prisão preventiva, informações avançadas pela Lusa na quinta-feira.


Em comunicado, a mesma entidade indicou que o ex-presidente do IPIM prestou apoio ilegal aos pedidos de imigração e promoveu "ativamente a aprovação daqueles 'falsos' pedidos de imigração".


O esquema envolvia um casal comerciante de Macau que criava empresas, projetos de investimento fictícios e informações falsas relativas à experiência profissional dos requerentes.


Tudo para que fossem aprovados pedidos de imigração por investimentos relevantes, bem como pedidos de residência a técnicos especializados com falsos pressupostos.


O casal de Macau cobrou "a título de 'despesa para tratamento representativo de formalidades', despesas de valor elevado aos requerentes que não se encontravam habilitados à imigração. O valor envolvido superou os 10 milhões de patacas" (1,1 milhões de euros).


O CCAC constatou que o grupo contabilizava 20 a 30% dos gastos como "despesas diversas e de consultadoria do IPIM" ou "despesas de consultadoria".


O ex-presidente do IPIM encontrava-se "em conluio com aquele grupo", tendo recebido "vantagens ilícitas, tais como dinheiro, acesso a empregos e ações de empresas, através do seu cônjuge, filha e amante do interior da China", além de ter ocultado "dolosamente, na declaração de bens patrimoniais e interesses, os bens patrimoniais que possuía".


Além do ex-presidente também são arguidos, no mesmo processo, a ex-vogal executiva Glória Batalha, que acumulava com a função de secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e um antigo diretor adjunto do Gabinete Jurídico e de Fixação de Residência do IPIM.


Glória Batalha foi acusada pelo CCAC de ter "prestado apoio ilegal a dois requerentes de 'imigração por fixação de residência dos técnicos especializados' e revelando informações confidenciais internas do serviço para que os pedidos dos referidos requerentes pudessem ser aprovados facilmente.


Por essa razão, praticou os crimes de abuso de poder e de violação do segredo, apontou a entidade.


Já o antigo diretor adjunto do Gabinete Jurídico e de Fixação de Residência do IPIM "participou directamente nas actividades criminosas do referido grupo no que respeita aos 'falsos' pedidos de imigração.


O IPIM tem como objetivo dar apoio ao chefe do executivo de Macau na promoção do comércio externo, captação de investimentos, ao desenvolvimento de convenções e exposições, à cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa, entre outros projetos de cooperação externa.



MIM // VM


Lusa/Fim