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ENTREVISTA: Macau/20 anos: Associações lusófonas africanas discriminadas nos apoios, ao contrário dos portugueses – deputado (C/ÁUDIO)

Macau, China, 22 nov 2019 (Lusa) -- O único deputado português na Assembleia Legislativa (AL) de Macau disse à Lusa que as associações lusófonas africanas são discriminadas nos subsídios concedidos pelas autoridades do território, ao contrário do que acontece com as portuguesas.


"A comunidade portuguesa está bem porque o Governo de Macau tem olhado com carinho a comunidade portuguesa, subsidiando a maior parte das atividades organizadas pelas associações", começou por explicar Pereira Coutinho, na AL desde 2005.


"Só que, aí, também tenho recebido queixas de que alguns são filhos e outros enteados", ressalvou o deputado de nacionalidade portuguesa, nascido em Macau.


"Há muitas associações de países de língua portuguesa que são tratadas de uma forma desigual porque eles são africanos e os outros são portugueses. Isso tem de ser dito cá fora. Tenho recebido queixas nesse sentido", reforçou aquele que é também conselheiro das comunidades portuguesas.


Para Pereira Coutinho, "faz falta em Macau o que existe em Hong Kong: por exemplo, um serviço independente que só aceite, por exemplo, queixas por discriminação".


"Como deputado, recebo queixas por discriminação étnica", afirmou, enumerando casos em que macaenses e portugueses concorrem para a função pública, mas que se deparam com provas apenas em chinês, num território em que a lei prevê que o português deverá permanecer como língua oficial em Macau até 2049.


A entrada de portugueses na função pública é praticamente impossível após o estabelecimento da região Administrativa Especial de Macau, assinalou: "a comunidade portuguesa sabe que não tem lugar (...), só entram aqueles que têm relação de amizade ou que caem de paraquedas e que vêm cá fazer serviços".


Isto porque, acusou o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, "hoje em dia para trabalhar na função pública é preciso mostrar que é patriota, caso contrário o cargo pode não estar garantido pelos anos fora".


Se no privado, esclareceu, o cenário é completamente diferente, na função pública há uma outra realidade: "Se [o português] tiver cunhas é evidente que toca guitarra. É evidente que continua a funcionar assim".



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