China: O caminho é o da democracia, afirma dissidente
Arquivo Lusa 1999
Macau, 05 Jun (Lusa) - O poder do Partido Comunista Chinês está fragilizado e a democracia é o caminho que a China seguirá "mais cedo ou mais tarde", defendeu hoje em Macau o dissidente chinês Wang Bingzhang.
"O receio que 10 anos depois o governo chinês ainda tem das comemorações dos acontecimentos da praça de Tiananmen em 04 de Junho de 1989 revela a pouca confiança que as autoridades têm no seu próprio poder", disse Wang Bingzhang.
O dissidente chinês, actualmente residente no Estados Unidos, falava durante um seminário de activistas pró-democracia em que foi debatido o conceito "um país, dois sistemas" que a China aplicou à transferência da soberania de Hong Kong em 1997, irá aplicar à transferência da administração de Macau em 20 de Dezembro e pretende estender à eventual reunificação de Taiwan.
Wang Bingzhang defendeu que "o que deveria existir na Chinaseria um país, um sistema , mas o sistema deveria ser o sistema democrático e não o regime do PC chinês.
Para o dissidente, o conceito "um país, dois sistemas" é apenas "um subterfúgio" a que Pequim recorreu para poder recuperar o exercício da soberania sobre Hong Kong e Macau mantendo o povo chinês sob um regime de partido único.
O conceito idealizado pelo falecido patriarca político chinêsDeng Xiaoping criou o enquadramento para a integração na República Popular da China de territórios com economias e modos de vida capitalistas como Hong Kong e Macau.
Wang Bingzhang disse hoje ser "pouco optimista" em relação ao sucesso futuro do conceito "um país, dois sistemas" mas manifestou "esperança em que o governo chinês cumpra o prometido" e que o futuro governo de Macau, que passará a ser uma Região Administrativa Especial da China depois da transferência de poderes, possa "resistir a pressões de Pequim".
Durante o seminário, que reuniu cerca de 40 activistas locais, de Hong Kong, Taiwan e da região autónoma chinesa de Xinjiang, a aplicação do conceito "um país dois sistemas"à eventual reunificação de Taiwan com a República Popular foi recusada por Shen Fu Xiong, deputado do Partido do Desenvolvimento Democrático no parlamento da ilha nacionalista.
Shen Fu Xiong citou sondagens realizadas regularmente em Taiwan, que Pequim considera uma "província renegada", que apontam para uma oposição de 72,9 por cento da população contra a reunificação nos termos propostos pela China contra um apoio de apenas 9,1 por cento.
Para Shen Fu Xiong, mesmo que as experiências de Hong Kong e Macau revelem o sucesso da fórmula chinesa, Taiwan manter-se-à maioritariamente em oposição.
O seminário de hoje em Macau - que pretendeu também assinalar o 10/o aniversário da supressão do movimento estudantil da praça de iananmen pelo exército chinês - teve inicialmente prevista como uma das principais atracções a presença do dissidente Wang Dan, um dos líderes do movimento de 1989, que acabou por não se concretizar devido a problemas com a deslocação do dissidente, que reside nos Estados Unidos.
Lusa/Fim