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China: Apoio dos EUA à Falun Gong irrita Pequim

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 29 Dez (Lusa) - O governo chinês acusou os Estados Unidos de apoiarem o grupo Falun Gong com o objectivo de criar forças hostis ao regime de Pequim e bloquear o desenvolvimento económico da  China.

"O autêntico objectivo do apoio do governo de Washington à Falun Gong é ajudar as forças hostis existentes no nosso país e bloquear o desenvolvimento económico e social da China", escreve hoje em ediorial o Diario do Povo.

A mesma fonte denuncia que "ironicamente os Estados Unidos já advertiram os norte-americanos do perigo que enfrenta a sua sociedade devido ao ressurgimento de cultos no início do novo milénio".

Numa linguagem dura e directa, o Diario do Povo insiste na extradição do líder do movimento espiritual, Li Hongzhi, exilado há 10 anos nos Estados Unidos.

"Já pedimos à Interpol que nos ajude a deter Li Hongzhi. Esse homem disse aos seus seguidores que podem instalar no seu ventre a 'Roda da Vida' e conseguir que o seu espírito se liberte do sofrimento e entre num estado superior. Isso não é científico", refere o artigo.

O Diario do Povo, cuja tiragem baixou dos sete milhões de exemplares na década dos anos sessenta para os dois milhões actuais, sublinha que a questão da Falun Gong "é um assunto interno" que será resolvido com todo o peso da lei.

A publicação do editorial tem lugar três dias depois de o Tribunal Popular de Pequim condenar os quatro principais dirigentes da Falun Gong a penas que variam entre os sete e 18 anos de cadeia, após terem sido declarados culpados de seguir "um culto diabólico" e "revelar segredos de Estado".

A Falun Gong, que afirma ter 60 milhões de fiéis na China e outros 30 milhões no Japão, Estados Unidos, Singapura, Hong Kong, Taiwan, Macau e outros países asiáticos, baseia-se numa amálgama de  doutrinas budistas e taoistas, combinadas com artes marciais e exercícios respiratórios.

O movimento define-se como pacifista e Pequim, que já o ilegalizou com um decreto da Assembleia Nacional Popular, considera-o a maior ameaça para a sobrevivência do partido comunista, cujos quadros são acusados frequentemente de corrupção.

Lusa/Fim