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Autarca de Taiwan defende reforço da cooperação com Macau

epa07436363 (FILE) - Soldiers hoist Taiwan's national flag at the Liberty Square in Taipei, Taiwan, 13 March 2019 (reissued on 14 March 2019). Taiwan welcomed El Salvadoran supreme court's temporary suspending the termination of El Salvador-Taiwan free trade agreement on 14 March 2019. 'We are pleased to see the positive development in this case. We respect the legal process in El Salvador and will also closely monitor development of political situation in El Salvador,' Foreign Ministry Spokesman Andrew Lee said. El Salvador cut diplomatic ties with Taiwan to recognize China on 21 August 2018 and also scrapped the trade deal in December 2018. But El Salvadoran business sector sought an injunction, saying that nixing the trade deal would hurt buinsess interest. In February 2019, El Salvador's president-elect Nayib Bukele, to be sworn in on 01 June 2019, said China does not respect El Salvador, so he will review his predecessor's decision on cutting ties with Taiwan. Taiwan, formally called the Republic of China (ROC), is recognized by 17 countries. China sees Taiwan as its breakaway province and urges Taiwan's allies to drop Taipei and recognize Beijing.  EPA/DAVID CHANG

O governador de Kaohsiung, segunda maior cidade de Taiwan, acredita que existe "um grande potencial" de cooperação económica e comercial com Macau, sobretudo na "exportação de produtos agrícolas" com origem naquele município.

Han Kuo-yu falava durante uma reunião com o chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, no âmbito de uma visita à região administrativa especial chinesa, no sábado.

Para Chui Sai On, os dois territórios têm uma relação histórica profunda, com "intercâmbio e cooperação em vários setores".

O chefe do Governo de Macau afirmou que "outras cidades de Taiwan são igualmente bem-vindas a reforçar o intercâmbio e contactos com Macau, ao abrigo do 'consenso de 1992'", de acordo com um comunicado do gabinete do porta-voz do Governo de Macau.

O "consenso de 1992" é um entendimento tácito entre Pequim e Taipé de que só existe uma China, deixando aos dois lados uma interpretação livre sobre o que isso significa.

O autarca de Kaohsiung acrescentou esperar um reforço das "trocas económicas e comerciais com Macau", assim como "promover a cooperação bilateral nos domínios turístico e cultural".

Para o dirigente de Kaohsiung esta visita destinou-se a aprofundar os "contactos entre os territórios", nas áreas económica, comercial, cultural e turística. Han visitou ainda o Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, no centro de Macau.

De acordo com a agência de notícias de Taiwan Central News Agency (CNA), que citou responsáveis do município de Kaohsiung, a visita de Han Kuo-yu, acompanhado por uma delegação de uma dezena de empresários e dirigentes locais, resultou na assinatura de 27 acordos comerciais, no sábado, no valor total de 23,6 milhões de dólares norte-americanos (cerca de 21 milhões de euros).

Han Kuo-yu, do partido nacionalista Kuomintang (KMT, na oposição), é considerado um dos mais fortes candidatos à presidência da ilha, se decidir concorrer às eleições de 2020, de acordo com as últimas sondagens.

A visita já foi fortemente criticada pela Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, do Partido Progressista Democrático (DPP, no poder), sobretudo, por incluir um encontro do dirigente de Kaohsiung com o diretor do gabinete de ligação do Governo central [Pequim] em Hong Kong, Wang Zhimin.

Tsai, em visita ao Estado de Palau, um dos aliados de Taiwan no Pacífico, afirmou, perante este quadro, ser difícil excluir a hipótese de Pequim estar a tentar criar uma atmosfera "um país, dois sistemas", indicou a CNA.

Aquele princípio é considerado por Taiwan uma "fórmula para a unificação" da ilha, onde as tropas nacionalistas se refugiaram depois da derrota frente aos comunistas em 1949.

O gabinete de ligação é "uma instituição que simboliza a imposão do princípio 'um país, dois sistemas' em Hong Kong", afirmou Tsai, eleita em 2016, mas cuja popularidade tem vindo a descer, à medida que se aproximam as presidenciais do próximo ano.

O autarca de Kaohsiung, que chegou a Hong Kong na sexta-feira de manhã e esteve em Macau no sábado, tem ainda previstas visitas a Xangai e Pequim, indicou a CNA.

Entretanto, o Conselho para os Assuntos da China Continental de Taiwan pediu a Han que forneça informações sobre as discussões mantidas com responsáveis chineses durante a visita, disse o porta-voz Chiu Chui-cheng, citado pela CNA.

Chiu indicou não existir qualquer regulamento que proíba os presidentes de municípios ou condados de se encontrarem com responsáveis chineses em Hong Kong ou Macau, a menos que envolva a assinatura de acordos políticos, da competência única e exclusiva do Governo de Taiwan.

"Esperamos que a administração da cidade de Kaohsiung mantenha este princípio de igualdade dignitária na interação com responsáveis naqueles territórios", disse.

Pequim considera Taiwan, que funciona como uma entidade política soberana desde 1949, uma província chinesa e defende a reunificação pacífica, sem excluir "usar a força" caso a ilha declare independência.

Elsa Jacinto