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AR/Macau: Juízos políticos sobre China são episódicos – Almeida Santos

Arquivo Lusa 1999

Lisboa, 14 Dez (Lusa) - O presidente da Assembleia da República considerou hoje "episódicos" os juízos de natureza política que incidem sobre o povo da República Popular da China.

No seu discurso na sessão solene dedicada à transferência de Macau para as autoridades chinesas, Almeida Santos lamentou que as avaliações sobre o povo chinês sejam "em regra afectadas por prejuízos de natureza política".

"Mas, um pouco de familiaridade com a História da China e com a sua filosofia de pensamento e de vida, leva-nos à conclusão de que não conhece a alma do seu povo quem confunde o episódico com o essencial", sustentou o presidente da Assembleia da República, que manifestou a confiança de que Portugal e a China continuarão a ser no futuro "dois países que se estimam e se respeitam".

"Os quase cinco séculos que mediaram entre um pacto e outro foram, eles também, tempo de concórdia e tempo de paz. Dessa concórdia e dessa paz nasceram um comum estado de espírito e um sentimento recíproco: um estado de espírito propenso à cooperação e à entreajuda, e um sentimento, nem sempre fácil entre povos de civilizações diferentes, que dá pelo nome de amizade", disse.

Com o ex-governador de Macau Carlos Melancia a assistir à sessão solene na galeria de honra do Parlamento, o presidente da Assembleia da República defendeu a tese de que Portugal "sairá, ficando" no território.

Portugal, especificou, deixou "o seu modelo económico, legislativo e administrativo, o seu modelo judiciário, a sua língua como língua oficial "a latere" da língua vernácula chinesa, o essencial das suas leis, a especial maneira de viver que ajudou a sedimentar no território".

"Mas, em Macau, não deixaremos apenas uma forma económica legislativa, jurídica e judiciária de vida. Nem só um modo especial de ser e de viver, nem só o português como segunda língua oficial", observou.

Em Macau, de acordo com o presidente da Assembleia da República, Portugal deixará "também o culto do génio com o qual essa língua se identifica: o culto da memória de Camões, esse vulto cimeiro da poesia épica e lírica universal, o que segundo ele próprio "manquejava de um olho" e com o outro viu uma pátria que ninguém tinha visto ou com ele voltou a ver".

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