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Aeroporto de Macau é entreposto intra-regional viável

Arquivo Lusa 1999

Hong Kong, 16 Jun (Lusa) - O Aeroporto Internacional de Macau (AIM) está emergir como entreposto intra-regional viável, mas vive com o perigo da excessiva dependência de funcionar como ponto de  ligação entre Taiwan e a China, diz hoje um jornal de Hong Kong.

Mais de 50 por cento do tráfego no AIM é gerado por passageiros em trânsito entre Taiwan e a China, que utilizam Macau como escala intermédia para contornar a proibição de ligações directas entre a ilha nacionalista e a República Popular, "uma contingência política que poderá desaparecer subitamente", diz o diário de língua inglesa South China Morning Post.

"Este tráfego poderá desaparecer se Pequim e Taiwan abrirem ligações directas, deixando Macau com um terminal de passageiros vazio", diz o jornal.

Entretanto, apesar do perigo da dependência excessiva, a imunidade de Taiwan e da China à crise económica asiática permitiu ao AIM evitar quebras significativas do crescimento da sua actividade  durante os últimos dois anos, ao contrário de outros aeroportos da região, tendo registado nos primeiros quatro meses deste ano um aumento de 17 por cento, em relação a igual período de 1998, no tráfego de passageiros, que se aproximou das 250.000 pessoas em Abril.

O South China adianta que o AIM tem vindo a conseguir conquistar um lugar próprio na região do Delta do Rio das Pérolas - onde existem aeroportos também nas zonas económicas especiais chinesas de Zhuhai, adjacente a Macau, e Shenzhen, adjacente a Hong Kong, para além do aeroporto de Chek Lap Kok em Hong Kong, que é um dos maiores do mundo - ao funcionar como "uma porta relativamente  barata de saída para o mundo para cidadãos chineses".

De acordo com o South China, o AIM conseguiu também atrair algum tráfego através de preços competitivos em relação a Hong Kong, onde Chek Lap Kok é alvo de protestos de companhias aéreas contra as elevadas taxas de aterragem e estacionamento.

O AIM cobra taxas que são cerca de 30 por cento inferiores a Chek Lap Kok, depois de uma redução de 50 por cento do custo de algumas taxas de aterragem e de estacionamento aplicada em Agosto de 1998.

O jornal cita ainda o presidente da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM), João Manuel de Sousa Moreira, a afirmar que, para lá de considerações comerciais, o AIM é necessário para "manter a autonomia e a identidade de Macau".

Em 20 de Dezembro Macau deixará de ser um território sob administração portuguesa para passar a ser uma Região Administrativa Especial da China.

Lusa/Fim