Macau/99: Milhares de pessoas comparecem à última grande celebração da transferência
Arquivo Lusa 1999
Macau, China, 21 Dez (Lusa) - Mais de 10 mil pessoas encheram hoje o Estádio da Taipa para assistir à actividade cultural - O encanto de Macau , a última grande celebração popular da entrega à China da administração do território, decorrida no passado dia 20 de Dezembro.
A nota portuguesa na celebração esteve a cargo da Associação dos Trabalhadores da Função Pública do território, que dançou um gigantesco Malhão ao som do grupo de tambores da província chinesa de Hainão, incluindo dezenas de alunos do Liceu Pui Tou, que se despediram com o acenar de lenços coloridos.
A celebração da entrega da administração do território à China contou com a presença do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Edmund Ho, e do presidente da Associação Comercial local, Ma Man Kei.
"Desejo à Região um futuro muito próspero e estou seguro de que agora Macau será muito melhor" , disse Ma Man Kei, num discurso a que muito poucas pessoas prestaram atenção, a maioria porque não compreende mandarim, língua oficial da China, outras porque estavam ansiosas por assistir às manifestações culturais que decorreram no relvado do estádio.
A actividade cultural teve início com a largada de pára-quedistas, que empunhavam bandeiras da China e de Macau, seguindo-se um espectáculo dos tambores do século , pelo grupo de artes marciais da província de Hainão.
A terceira parte do programa foi dedicada ao tema as flores de Lótus, que juntou o clube de Danças de Macau, o Grupo de Artes Marciais do território e o liceu Kan Yip, entre outros grupos culturais vindos do continente chinês, em coreografias cujo símbolo-rei foi sempre a flor de Lótus, o símbolo de Macau.
Um dos pontos altos do festival foi quando a pequena Yong Weng Lam, de 9 anos, cantou a solo a música "Ao-men é o Meu Verdadeiro Nome", uma canção que faz referência à denominação em mandarim de Macau.
"Roubaram meu corpo, mas a minha alma foi-te sempre fiel, ó mãe China", reza a canção, e a pequena Yong, bem catequizada, não podia concordar mais.
"Estou muito feliz por ter cantado para tanta gente", diz Yong, muito séria.
"Finalmente, Macau volta a ser da China", conclui em inglês a pequena cantora.
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