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Ex-ministro das Finanças acusa atual Governo de “saga de perseguição politica”

São Tomé, 19 dez 2019 (Lusa) - O ex-ministro das Finanças Américo Ramos acusou hoje o atual poder de "perseguição política", na origem da qual foi preso durante três meses por alegado desvio de 17 milhões de dólares do empréstimo do Fundo Soberano do Kuwait.


"A minha convicção é reforçada quando os representantes do Fundo Soberano do Kuwait vêm publicamente dizer que o financiamento destinado a reabilitação e apetrechamento do hospital central Ayres de Menezes ainda se encontra disponível", disse o ex-ministro do Governo de Patrice Trovoada (2014-2018).


Em janeiro de 2016, o Governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada contraiu um empréstimo de 17 milhões de dólares (15,3 milhões de euros) ao Fundo do Koweit para a requalificação e equipamento do principal hospital do país, na capital são-tomense.


Na terça-feira, dois representantes enviados a São Tomé a pedido do executivo do arquipélago, liderado por Jorge Bom Jesus, garantiram que o referido empréstimo "está disponível para o Governo de São Tomé".


Entretanto, no dia seguinte, em conferência de imprensa, o ministro do Planeamento, Finanças e Economia Azul, Osvaldo Vaz, disse que o valor não está intacto, faltando cerca de 210 mil euros, cujo paradeiro o Governo "precisa saber".


Hoje, Américo Ramos considerou esta denúncia como "falsa e caluniosa, feita por gentes que têm a intenção de perseguir, humilhar, sujar o bom nome das pessoas de bem neste país".


"No mesmo dia após a tomada de posse do 17.º Governo, em 03 de dezembro de 2018, fui ao gabinete do ministro para passar-lhe todas as informações importantes. Estiveram presentes no encontro o senhor ministro Osvaldo Vaz e o atual secretário de Estado do Comércio", explicou Américo Ramos.


"Entre os vários assuntos abordados, destaquei o do empréstimo de 30 milhões de dólares, narrei tudo o que aconteceu e disse que a empresa credora só fez o desbloqueamento de 10 milhões, tendo em conta que o dono da empresa, o senhor Sam Pa foi preso, situação que é do conhecimento de todos", acrescentou o ex-ministro.


Sublinhou que durante a explicação, o seu sucessor, Osvaldo Vaz, respondeu que "conhecia a situação e que também conhecia o Sam Pa porque era amigo do seu anterior chefe na Sonangol, e tendo em conta a escassez de recursos para financiamento do Orçamento Geral do Estado iria fazer diligências junto as autoridades chinesas para ver se conseguia desbloquear os 20 milhões restantes".


"Este Governo sempre esteve a par de tudo", afirmou Américo Ramos, que considerou "vergonhoso e falta de sentido de Estado protelar o início de todo o processo de reabilitação e apetrechamento do hospital Ayres de Menezes com o único intuito de manter a saga de perseguição aos dirigentes do anterior Governo".


Relativamente às informações sobre o desconhecimento da empresa de consultoria que alegadamente teria recebido os 210 mil euros, Américo Ramos desafia o Governo a consultar os técnicos do Ministério da Saúde para obter esclarecimentos.


"A referida empresa de consultoria esteve cá [em São Tomé] por duas vezes fazendo a apresentação do pré- projeto numa atividade em que estiveram presentes médicos e técnicos superiores do Hospital Ayres de Menezes", referiu.


A 03 de abril, Américo Ramos, ex-ministro das Finanças do anterior Governo, foi preso pela Polícia Judiciária em São Tomé, no seguimento de uma queixa feita pelo atual executivo relativa a empréstimos contraídos durante o mandato de Patrice Trovoada, incluindo este do Fundo do Kuwait.


Em causa estavam um empréstimo de 30 milhões de dólares (26,7 milhões de euros), contraído a um fundo internacional com sede em Hong Kong, e outro de 17 milhões de dólares (15,1 milhões de euros), contraído ao Fundo Soberano do Kuwait para a requalificação do hospital da capital são-tomense. Segundo o Governo de Bom Jesus, os dois empréstimos foram assinados por Américo Ramos enquanto ministro das Finanças do anterior executivo.


Américo Ramos foi libertado sob fiança, de 100 mil euros, a 03 de julho, após o Ministério Público ter pedido o arquivamento, por "inexistência de indícios criminais", de dois processos que envolviam o ex-ministro das Finanças Américo Ramos e o antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada.


O antigo ministro estava acusado dos crimes de branqueamento de capital, participação económica em negócio e peculato.



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Lusa/fim