icon-ham
haitong

Macau/99: The Daily Telegraph diz que maioria dos residentes sente satisfação por partida de portugueses

Arquivo Lusa 1999

Londres, 18 Dez (Lusa) - O jornal britânico "The Daily Telegraph" de hoje refere que a maioria dos habitantes de Macau manifestam uma certa satisfação por se despedirem das autoridades  portuguesas de Macau.

Macau, o primeiro e ultimo enclave europeu colonial na China, vai ser entregue domingo a Pequim depois de 450 anos de administração portuguesa.

Mas os 430 000 habitantes, na sua maioria chineses, expressaram sábado ao correspondente do jornal londrino pouca emoção, alem de certa satisfação por se despedirem dos seus dirigentes colonialistas, reporta o periódico.

"Temos aqui dois mundos diferentes, o dos chineses e o dos portugueses, que só se juntam quando é necessário como por exemplo no trabalho" disse um jovem português no seu favorito café, o "Bolo de Arroz".

O jornal refere que Portugal deu passaportes portugueses a uma quarta parte da população e garantiu emprego a quatro mil macaenses, ou euro-asiáticos, que tradicionalmente tinham emprego aos níveis baixo e médio do funcionalismo público.

Mas uma estudante chinesa, Connie Lei, que foi receber o seu passaporte disse ao correspondente do The Daily Telegraph: "Não me sinto portuguesa. Este passaporte é simplesmente mais conveniente".

Os chineses de Macau - cerca de 96 por cento - acolherão com satisfação a guarnição militar chinesa, pois acreditam que só o receio da actuação das forças comunistas chinesas porão termo ao controlo pelas quadrilhas "tríades" dos jogos de azar ilegais, e da prostituição que prospera á volta dos casinos.

E, assim, para muitos residentes chineses de Macau, a situação só pode melhorar quando forem governados pelos chineses.

O jornal salienta que medidas rígidas de segurança protegem os participantes na entrega de Macau à China e os seus convidados que incluem os Presidentes de Portugal e da China, bem como outros, nomeadamente Xanana Gusmão, o líder timorense, e Chris Patten, comissario europeu para negócios estrangeiros que representará a UE, que foram ambos convidados por Lisboa no meio de silencio total dos chineses.

Os portugueses obtiveram da China um contrato de arrendamento de Macau, em 1557, em troca de luta contra os piratas. Mas conclui o jornal, citando declarações de um residente daquele enclave: "os portugueses fecharam os olhos (aos problemas de Macau) durante quatro séculos, e apenas os abriram nos últimos 10 ou 15 anos".

Lusa/Fim