Macau/99: Xanana Gusmão e Rocha Vieira “cruzam-se” no fim do Império
Arquivo Lusa 1999
Macau, 18 Dez (Lusa) - Xanana Gusmão cruzou-se hoje nos "caminhos da história" com o último governador de Macau: o líder timorense prepara o futuro de um novo país lusófono e Rocha Vieira encerra o a presença da administração portuguesa na China.
No final de um encontro com Rocha Vieira no Palácio da Praia Grande, em Macau, o presidente do Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT) agradeceu ao governador o apoio que o território prestou à causa timorense nos anos de combate à ocupação indonésia.
"Em nome do povo de Timor-Leste, agradeço todo o apoio que o governo deste pequeno território deu ao povo timorense", disse Xanana Gusmão aos jornalistas, após a reunião de cerca de 30 minutos com Rocha Vieira.
Salientou, designadamente, que Macau "desde cedo recebeu muitos refugiados" da antiga colónia portuguesa e recordou que essa ajuda aconteceu "em circunstâncias difíceis", ao longo dos 23 anos de permanência do exército invasor em Timor-Leste.
"Não posso ignorar aqui esse apoio", disse, revelando que o CNRT investiu o "último milhão de dólares de donativos" na compra de diversas máquinas agrícolas: cinco tractores maiores, 20 de média dimensão e 200 moto-cultivadoras.
Este investimento, justificou Xanana Gusmão, "vai permitir ao nosso povo cultivar arroz, para não passarmos tanta fome como estamos a passar".
O antigo guerrilheiro elogiou o processo transferência da administração de Macau para a República Popular da China, o qual "vai ser ser um exemplo" para Timor-Leste na transição para a independência.
"Macau vai ser um exemplo para nós, um exemplo de como Portugal conseguiu aqui imprimir uma relação de cooperação e amizade com os países vizinhos", acrescentou.
Para o futuro estado de Timor Lorosae, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) terá "um especial interesse no domínio das relações culturais".
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