Macau/99: Imprensa britânica destaca regresso do território à China
Arquivo Lusa 1999
Londres, 17 Dez (lusa) - A imprensa britânica destaca hoje o adeus português a Macau, no domingo, e assinala que a influência chinesa no território é já bastante forte.
"Hong Kong reteve muito da sua cultura inglesa desde 1997 (quando foi entregue à China), mas Macau prepara-se para uma mudança total quanto o Exército de Libertação do Povo chinês marchar para o enclave, na próxima segunda-feira", escreve "The Times".
Em manchete o jornal destaca o regresso de Macau à "terra natal" após 442 anos de administração portuguesa.
Sobre as cerimónias de transferência da administração para a China, no domingo, The Times diz que as celebrações serão "muito mais genuinas" do as de Hong Kong, dado que a grande maioria da população do território é composta por chineses do continente.
Os pequenos comerciantes já colocaram nas montras cartazes onde dão as boas-vindas ao regresso à China, refere o jornal.
"Se a China conseguir manter uma distância discreta a nova administração terá oportunidade de justificar os sorrisos e louvores que acolherão a cerimónia de domingo", escreve em editorial, "The Times".
O mesmo jornal noticia ainda que a presença do último governador de Hong Kong, Chris Patten, nas cerimónias de domingo, em representação da União Europeia (dado que é o Comissário com o pelouro das relações externas) causará algum embaraço à China.
As relações de Patten com Pequim nunca foram as melhores.
O "Financial Times" destaca igualmente o regresso de Macau à China e considera que apesar de só agora se p"r fim a mais de 440 anos de administração portuguesa no território a entrega "tem estado a decorrer há vários anos".
Apesar da influência chinesa já ser bastante grande, o Financial Times considera que "a entrega do território no domingo causará uma crise de identidade".
"Em Macau faltam elementos importantes como uma classe média grande, oposição política e uma organização judiciária com experiência", aponta o jornal para explicar as dificuldades que antevê na instituição do princípio "um país, dois sistemas", que tal como em Hong Kong será aplicado a Macau.
"Há falta de recursos humanos em Macau o que torna difícil administrar o segundo sistema", indica Gary Niang, dirigente de uma fundação local.
"O colonialismo europeu poderá ter tido sucesso na Ásia, mas em Macau, no domingo, desaparecerá com uma pequena lamuria", prevê o Financial Times.
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