Macau/99: Funcionários públicos despedem-se de Portugal posando ao lado dos últimos símbolos
Arquivo Lusa 1999
Macau, 17 Dez (Lusa) - Os funcionários públicos de Macau concluíram hoje o último dia de trabalho sob Administração portuguesa aproveitando a ocasião para tirar fotografias com os símbolos nacionais que deixarão de existir na futura Região.
No quartel de S. Francisco, gabinete de trabalho do secretário-adjunto para a Segurança, funcionários posaram junto aos símbolos das polícias e da bandeira nacional enquanto no interior do edifício os assessores de Manuel Monge, arrumavam os últimos caixotes com papeis e objectos pessoais.
Ninguém, contudo, quis falar nem mesmo dar o nome para figurar numa notícia sobre os últimos momentos em que os serviços públicos de Macau são ainda de uma administração portuguesa, que terminará formalmente domingo.
No Edifício da Administração Pública, os funcionários da Conservatória de Registo de Nascimentos e óbitos mantinham um trabalho normal já que os "bebés continuam a nascer todos os dias" independentemente da mudança de Administração, diziam através do balcão com vidro entre o público e o pessoal de atendimento.
Já na Conservatória do Registo Automóvel, o movimento dos últimos meses fez-se notar apenas pelo aumento do número de portugueses "que vieram vender os carros que tinham antes de partir", assinalou um funcionário que também solicitou o anonimato.
Quanto aos efeitos da mudança de Administração, todos os funcionários contactados pela Lusa foram unânimes: "a 22 de Dezembro vimos trabalhar como nos outros dias".
Mesmo antes de entrar em funções oficialmente, onde se nota mais movimento é, contudo, no Consulado-Geral de Portugal em Macau, que será inaugurado sábado pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros e que só este ano já efectuou cerca de 65.000 actos consulares como renovações e emissões de passaportes e bilhetes de identidade.
Apesar de não terem um prazo estipulado para escolher entre as nacionalidades portuguesa e chinesa (a China considera-os chineses), os portugueses de etnia chinesa residentes em Macau quiseram garantir a posse de documentos novos antes da mudança da administração bem como fizeram questão de estar inscritos no consulado para qualquer eventualidade.
Quando, a 22 de Dezembro, os funcionários voltarem a "picar o ponto" às 09:00 a maioria terá os mesmos chefes, mas alguns terão colegas novos - principalmente os que trabalham nos gabinetes do Governador e dos secretários-adjuntos.
Todos terão, no entanto, um Executivo novo e uma nova realidade política herdada de uma cerimónia onde, depois de cerca de 450 anos de Administração portuguesa, Portugal entregou o exercício da soberania do território à República Popular da China.
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