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Macau/99: Polícia tem “lista negra” membros Falun Gong e vai impedir entrada território

Arquivo Lusa 1999

Macau, 15 Dez (Lusa) - As forças de segurança de Macau vão impedir a entrada no território dos membros da seita chinesa Falungong que se encontrem numa "lista negra" elaborada pela PSP local, anunciou hoje um comissário da corporação.

"Temos uma lista negra sobre esses elementos. Não tenho dados sobre quantos elementos estarão nesta lista, mas temos uma lista negra, absolutamente", garantiu em conferência de imprensa Leong Wai  Keong, comissário da PSP, referindo-se a informações de que membros da Falungong, vindos do estrangeiro, poderão estar a preparar uma manifestação em Macau domingo, dia da transferência da administração do território de Portugal para a China.

A Falungong é uma seita de inspiração budista proibida em Junho passado na China, que reúne a prática de exercícios físicos tradicionais com a meditação.

A seita nunca levou a cabo acções públicas em Macau.

Leong Wai Keong disse que se algum membro da seita não residente em Macau se manifestar no território será "capturado e levado a tribunal", acrescentando que tais medidas se incluem numa  série de "precauções que a PSP vai tomar, incluindo a interdição da entrada aos membros que figurem na lista negra".

"Estamos em contacto com as polícias de Hong Kong e da China", declarou o comissário da PSP de Macau, adiantando: "será difícil aos adeptos da Falungong virem manifestar-se a Macau, porque vamos tomar precauções imediatas".

Segundo o Centro de Informação de Direitos Humanos sobre o Movimento Democrático na China, com sede em Hong Kong, cerca de 500 seguidores do culto Falungong vão manifestar-se em Macau nos próximos dias 19 e 20 de Dezembro.

iO Centro de Informação, que garante existirem na China cerca de 3.000 fiéis da seita condenados a trabalhos forçados, adiantou que a meia centena de manifestantes - vindos dos Estados Unidos, Canadá,  Japão, Austrália, Taiwan, Inglaterra e Suécia - quer entregar em Macau uma carta ao presidente chinês, Jiang Zemin, pedindo o fim da repressão de que são vítimas os seis milhões de seguidores chineses  da Falungong, que foi qualificada como "grupo herético" pelas autoridades da República Popular.

Leong Wai Keong disse hoje que, de acordo com a legislação, só os cidadãos de Macau têm o direito de manifestação, desfile e concentração, tendo além disso de ser requerida com três dias de antecedência ao município de Macau autorização para as manifestações.

"Até hoje ainda não foi recebido nenhum pedido de autorização (...) mas segundo a lei, se se registarem manifestações sem autorização, aplica-se o crime de desobediência qualificada, punível com pena até dois anos de prisão", concluiu o comissário da PSP.

Entretanto, o assessor do secretário-adjunto do governo de Macau para a Segurança, Cheong Iok Kuon, referiu também hoje que em Macau existem poucos membros da Falungong, mas prometeu que "será  utilizada a devida legislação para controlar as entradas e saídas do território" dos elementos que figurem na lista negra.

Cheong Iok Kuon garantiu, no entanto, que se as manifestações decorrerem de acordo com a lei, com a devida autorização municipal, elas poderão decorrer no local indicado pela polícia.

Lusa/Fim