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Dívida pública estabiliza nos 55% em 2020 na África subsaariana – Fitch Ratings

Hong Kong, 04 dez 2019 (Lusa) - A agência de 'rating' Fitch antecipa que a média do rácio de dívida pública face ao PIB na África subsaariana estabilize nos 55% do PIB, o que representa mais do dobro dos 27% registados em 2012.


"A Fitch espera que a média da dívida pública face ao PIB caia ligeiramente em 2020 [de 56%] para cerca de 55%, mas a forte subida anterior, de 27% em 2012, significa que há pouca margem nos orçamentos caso haja um novo choque externo ou interno", escrevem os peritos desta agência de notação financeira.


"O número de nações africanas em que o pagamento dos juros da dívida representa mais de 20% das receitas, ainda que sem alterações face aos dois últimos anos, continua no valor mais alto desde 2000, representando um significativo risco de 'dívida problemática' ['debt distress', no original em inglês]", acrescentam os analistas.


Na análise aos principais indicadores macroeconómicos previstos para 2020, enviado aos clientes, e que a Lusa teve acesso, a Fitch Ratings reconhece que "os países absorveram já o impacto da queda do preço das matérias-primas", mas salientam que "a má gestão das finanças públicas, as persistentes necessidades de infraestruturas prioritárias e a pressão para melhorar os serviços públicos aumentam os riscos da evolução da dívida pública".


Dos 19 países que a Fitch analisa na região, entre os quais estão os lusófonos Angola, Cabo Verde e Moçambique, apenas dois têm uma Perspetiva de Evolução Positiva, havendo três com uma Perspetiva Negativa, um dos quais é Angola.


Entre os 19 países analisados, a maioria está no nível B, no patamar mais baixo da escala de investimento, "o que reflete as deficientes características estruturais, como os indicadores de governação do Banco Mundial ou o rendimento per capita e, em mais países, dívida relativamente elevada", acrescentam os analistas.


"Angola já implementou grandes reformas, incluindo a reestruturação do setor petrolífero ao abrigo de um programa do FMI desde o final de 2018", notam os analistas, concluindo que "a evolução para uma taxa de câmbio mais flexível pode melhorar os desequilíbrios no mercado cambial, mas também aumenta o rácio da dívida face ao PIB".



MBA // JH


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