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ENTREVISTA: Macau/20 anos: Pequim vai resolver Hong Kong em pouco tempo – Carlos Monjardino

*** Serviço áudio e vídeo disponível em www.lusa.pt ***



*** Ana Tomás Ribeiro (texto), Franque Silva (vídeo) e António Cotrim (fotos), da Agência Lusa ***



Lisboa, 27 nov 2019 (Lusa) - O presidente da Fundação Oriente e ex-governante de Macau nos anos de 1980 considera que o território só poderá retirar a "curto-prazo" benefícios económicos da situação de instabilidade em Hong Kong.


"Macau, a curto prazo, acaba por beneficiar" economicamente da crise da cidade vizinha, mas "a médio prazo não, porque a questão de Hong Kong vai-se resolver, espero que sem problemas de maior, mas não tenho tanta certeza", afirmou Carlos Monjardino em entrevista à Lusa, a propósito dos 20 anos da transferência da administração portuguesa daquele território para a China.


Para o presidente da Fundação Oriente, Macau poderia também aproveitar a situação de instabilidade no território vizinho de Hong Kong "para atrair capitais", mas esse tipo de mercado "não existe praticamente".


Carlos Monjardino sublinhou, porém, que espera que Pequim não use uma posição de força na resolução da situação em Hong Kong.


"Seria um erro para Pequim", disse, sobretudo "depois de Tiananmen", referindo-se aos confrontos ocorridos na conhecida praça da capital chinesa, em 1989.


Em 4 de junho de 1989, a China encerrou de forma brutal o protesto em massa pela liberdade e democracia, na Praça da Paz Celestial, conhecida pelo nome de Tiananmen.


A violência militar resultou em centenas de mortos e milhares de feridos.


Carlos Monjardino lembrou que hoje é tudo muito mais mediático do que era em 1989, pelo que "toda a gente no mundo inteiro está a ver a reação de Pequim".


Ora, a China não pode expor-se a uma crítica internacional massiva por uma posição eventualmente mais dura que venha a tomar, considerou.


A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse segunda-feira que vai ouvir com "humildade e seriedade" a sociedade depois da esmagadora vitória dos candidatos pró-democracia nas eleições de domingo sobre o campo pró-Pequim.


As manifestações em Hong Kong começaram em junho, como forma de protesto contra um controverso projeto de lei, apresentado em abril, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental sob certas circunstâncias.


Os críticos e analistas afirmam que aquela medida, a avançar, poderia expor a população a julgamentos injustos e tratamento violento, além de proporcionar à China maior influência sobre Hong Kong.



ATR // PJA


Lusa/ Fim