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Macau/99: China considera importante comunidade portuguesa, diz Rocha Vieira

Arquivo Lusa 1999

Pequim, 23 Nov (Lusa) - O governador de Macau, Rocha Vieira, mostrou-se hoje confiante acerca do futuro da comunidade portuguesa, afirmando que "a China considera importante a sua permanência" no território.

"Isso foi-me reiterado de uma forma muito clara pelas autoridades chineses e é mais um factor de confiança para o futuro", disse Rocha Vieira no final de um encontro com o presidente chinês, Jiang Zemin.

A permanência da comunidade portuguesa em Macau após a transferência de poderes, no dia 20 de Dezembro, "diz respeito à singularidade própria do território" e "é importante para manter as suas características", sublinhou Rocha Vieira.

Além de Jiang Zemin, Rocha Vieira encontrou-se com o vice-primeiro-ministro Qian Qichen, o director do Gabinete do Conselho de Estado para os Assuntos de Hong Kong, Liao Hui, e o vice-ministro dos negócios estrangeiros Wang Yingfan.

Entre os temas abordados, o governador de Macau destacou a questão do estacionamento de tropas chinesas em Macau e a regulamentação do uso das duas línguas oficiais do território (o português e chinês).

"Em termos de pormenores concretos, há um quadro muito claro sobre essa questão e não me parece que haja problemas de maior a resolver", disse Rocha Vieira sobre o estacionamento de tropas chinesas em Macau.

Segundo salientou, os presidentes e os governos dos dois países já conseguiram criar "um espírito de entendimento" quanto aquela questão e "harmonizar" as respectivas responsabilidades.

"Portugal tem a responsabilidade da administração de Macau até as 24 horas de 19 de Dezembro e a China a partir das zero horas do dia 20", acrescentou.

Quanto à regulamentação das línguas, Rocha Vieira limitou-se a dizer que o assunto foi objecto de "uma abordagem concreta e positiva".

Rocha Vieira referiu igualmente ter verificado "o desejo das autoridades chinesas - partilhado pela parte portuguesa - de que a transição decorra de forma positiva, que se acentue o seu sucesso e que seja um exemplo para a comunidade internacional do bom entendimento possível para resolver de uma forma pacífica, dialogante e responsável a transferência de poderes entre dois países soberanos".

"A cerimónia de transferência será o corolário de um processo bem sucedido, dentro de um clima de amizade e de boa cooperação", salientou ainda Rocha Vieira.

Lusa/Fim