Macau: Edmund Ho admite formação de partidos políticos, mas diz não serem prioridade
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 20 Nov (Lusa) - O futuro chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) admite a possibilidade de formação de partidos políticos no território, mas afirma estar convicto de não se tratar de uma "necessidade imediata".
A afirmação de Edmund Ho é veiculada hoje numa entrevista difundida pelo semanário português "Expresso".
"Penso que o futuro sistema político de Macau deverá estar em conformidade com os princípios da Lei Básica, que não coloca quaisquer restrições à formação de partidos políticos. No entanto, tendo em conta as sensibilidades de Macau e mesmo a experiência de Hong Kong, não creio que a formação de partidos políticos seja uma necessidade imediata", sustenta.
Edmund Ho sublinha estar "convicto" de que o actual sistema político "se encontra bem representado a todos os níveis sociais, através das corporações de empresários e trabalhadores", pelo que "priorizar a partidarização política de Macau poderia redundar apenas em conflito, tendo em conta que Macau é um território onde não existem diferenças ideológicas marcadas".
Relativamente ao sector sindical e ao direito à greve depois da transição da soberania para a China, Edmund Ho invoca também a Lei Básica para referir que os trabalhadores terão direito à greve.
Sublinha porém que, enquanto chefe do executivo, é seu "desejo" que o recurso a essa forma de luta seja "utilizada apenas como último recurso, para bem da economia de Macau".
Sobre as prioridades do seu mandato, diz que os cinco anos serão utilizados para "preparar, nas várias áreas, as bases fundamentais do quinquénio que virá depois"
Relativamente ao monopólio da concessão do jogo de Macau, atribuído a Stanley Ho até 2001, o futuro chefe do executivo da RAEM diz que a questão irá ser entregue a um grupo de trabalho que entrará em funções em meados de 2000.
"Espero também receber no final dos seus trabalhos a necessária informação e conselho que permita ao meu governo tomar decisões sobre o futuro do jogo", refere.
Comentando o facto de Stanley Ho ter sido uma das primeiras pessoas a apoiar a sua candidatura ao cargo de chefe do executivo, Edmund Ho diz estar convicto de que esse apoio "não envolve qualquer espécie de +trade of+ político, ou qualquer espécie de potencial favorecimento", mas antes o facto de Stanley Ho ter reconhecido em si "o melhor candidato ao cargo e nada mais".
Sobre os novos investimentos de Stanley Ho em países da região, o futuro chefe do executivo de Macau considera "natural" do ponto de vista empresarial.
Já no que respeita à eventual introdução de casinos em Hong Kong, Edmund Ho diz não acreditar que tal venha a acontecer e que, caso acontecesse, poria em causa um "sector básico e essencial" da economia macaense.
Relativamente à violência no território, o futuro chefe do executivo diz que o combate às tríades tem de ser realizado por um "método concertado" quer envolva "não só as polícias, mas também a magistratura e outros departamentos do governo".
Acredita que, com este método, será possível "criar condições que esgotem as fontes de extracção de grandes lucros clandestinos às tríades, reduzindo a sua ameaça às verdadeiras proporções da criminalidade vulgar".
E isto porque, acredita não ser possível acabar com as tríades, uma vez que "o crime e o crime organizado existem em todos os países e em maior ou menor graus existirá sempre".
O governo que chefiará não irá, porém, introduzir a pena de morte em Macau, nem a prisão perpétua.
Na entrevista de oito páginas, Edmund Ho refere ainda que não irá acabar com o Grande Prémio de Macau, nem com o Festival Internacional de Música.
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