Macau/99: Investimento dependerá da liberdade e prosperidade futura
Arquivo Lusa 1999
Macau, 16 Nov (Lusa) - A captação de investimentos futuros para Macau dependerá da capacidade chinesa para cumprir as promessas de manter o território "livre e próspero", alerta em livro recém-publicado do académico de Hong Kong, Jean Berlie.
"Todo o mundo estará atento para saber se Macau e Hong Kong permanecerão tão prósperos e livres como prometeram aqueles que mandam em Pequim. Se isso acontecer, haverá investimentos frescos e novos, uma condição essencial para o crescimento económico na China e em Hong Kong e uma necessidade para o desenvolvimento sustentado de Macau", garante o investigador do departamento de Estudos Asiáticos da Universidade de Hong Kong no livro "Macau 2000".
A obra com 238 páginas, lançada pela Oxford University Press, departamento editorial da conhecida universidade britânica, reúne uma série de ensaios de vários autores sobre a realidade do território, desde os sistemas social e económico às realidades históricas, políticas e educacionais e aos sectores financeiro e imobiliário.
Lo Shiu-hing, professor de Ciência Política na Universidade de Hong Kong, defende no livro a tese de que as "relações clientelares" entre os detentores de cargos políticos sempre foram características de Macau e que esse facto não será alterado com a transferência de administração do território.
"As relações clientelares existem na comunidade portuguesa, na comunidade macaense e na comunidade chinesa e penetram a administração pública, na industria do jogo e nas forças políticas pró-China", continua Lo Shiu-hing, referindo que "acima de tudo as alterações na liderança de Macau continuarão a revelar relações clientelares, incluindo a selecção para o cargo de Chefe do Executivo e para os postos mais elevados da função pública".
A administração de Macau transita de Portugal para a China no próximo dia 20 de Dezembro, pondo fim a mais de 400 anos de governo português no território.
De acordo com a Lei Básica - a mini-Constituição que vigorará no território depois da transferência de administração - Macau gozará de autonomia em todas as áreas excepto diplomacia e defesa, e manterá o seu estilo de vida "essencialmente inalterado" durante 50 anos.
"Durante 450 anos de história debaixo de administração portuguesa, Macau prosperou, cresceu, vacilou , sobreviveu, mas sobretudo emergiu como uma espécie de espaço cultural de muitas faces, debaixo do imperialismo, colonialismo, ecumenismo, comunismo e capitalismo", diz Christina Cheng da Universidade de Hong Kong.
"É por isso que Macau é único- enquanto revela um modo de vida adquirido, mantém interiorizados os valores e significados indígenas", conclui Christina Cheng.
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