Macau/99: Portugal fez o melhor possível nas negociações da transferência, Fernando Lima
Arquivo Lusa 1999
Macau, 16 Nov (Lusa) - Portugal negociou da melhor forma possível a transferência da administração de Macau para a China, defendeu Fernando Lima, autor da obra "Macau-As Duas Transições", cujo segundo volume foi hoje lançado no território.
"Portugal fez o melhor possível, com as cartas que tinha na mão, e penso que isso é reconhecido por toda a gente, sabendo-se o poder que a China tinha e que Portugal não tinha", disse Fernando Lima à agência Lusa, durante o lançamento da obra.
O autor, que dirigiu o Centro de Informação e Turismo do Governo de Macau entre 1974 e 1976, realçou ainda o facto de Portugal ter conseguido "defender os valores, os direitos, os interesses nacionais e os da comunidade portuguesa residente no território".
A "extensão até 1997 do prazo de entrega de Macau à China" foi outro dos objectivos que a diplomacia portuguesa alcançou com sucesso, segundo o autor de "Macau-As Duas Transições".
Fernando Lima salientou ainda que Portugal fez da questão da data de entrega de Macau uma vantagem negocial, tendo o dia 19 de Dezembro sido resolvido "à última da hora".
As rondas negociais relativas à data da passagem da administração de Macau para a China, as estratégias usadas nas negociações da entrega de poderes e a comparação entre o processo de transição de Hong Kong e de Macau são alguns dos temas focados no segundo volume da obra de Fernando Lima, editado pela Fundação Macau e pelo Centro UNESCO do território.
O terceiro volume da obra será lançado em Macau em Maio de 2000, sendo que até ao fim de 1999 está ainda prevista uma edição em inglês e chinês, que reunirá num só livro capítulos escolhido dos três volumes.
Fernando Lima é jornalista e desempenhou também as funções de assessor de imprensa do então primeiro-ministro Cavaco Silva.
A administração de Macau transita de Portugal para a China no próximo dia 20 de Dezembro, pondo fim a mais de 400 anos de governo português no território.
De acordo com a Lei Básica - a mini-constituição que vigorará no território depois da transferência de administração - Macau gozará de autonomia em todas as áreas excepto diplomacia e defesa, e o estilo de vida local manter-se-á "essencialmente inalterado" durante 50 anos.
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