Hong Kong: Manifestantes baleados pela polícia, um deles está em estado crítico
Hong Kong, China, 11 nov 2019 (Lusa) - Dois manifestantes foram hoje baleados por um polícia em Hong Kong, que esta manhã tem sido marcada pelo caos nos transportes devido a uma greve geral convocada nas redes sociais, após a morte de um estudante.
Segundo fontes médicas citadas pelo jornal South China Morning Post, um dos dois jovens está em estado crítico e foi enviado para um hospital, onde será operado de urgência.
Pouco antes das 08:00 (meia-noite em Lisboa) foi publicado na rede social Twitter um vídeo no qual um polícia de trânsito é visto a atirar três tiros de curta distância em dois jovens vestidos de preto - uma cor associada aos protestos pró-democracia - na área residencial de Sai Wan Ho, onde um grupo de manifestantes estava a bloquear a circulação automóvel.
Na gravação, vê-se inicialmente o agente a atravessar a rua seguido por alguns manifestantes. Num movimento repentino, o agente sacou da arma, virou-se e agarrou um jovem vestido de branco e com a cara tapada por uma máscara.
O jovem resistiu e bateu no ombro direito do polícia, que disparou um tiro no estômago contra outro indivíduo, também de máscara, mas com uma indumentária preta, que tentou aparentemente tirar-lhe a arma. O polícia efetuou ainda dois outros disparos contra outro manifestante que também se aproximava.
Esta é a terceira vez que balas reais são disparadas diretamente contra os manifestantes pela polícia de Hong Kong.
Os outros dois incidentes ocorreram no início de outubro, ferindo dois jovens, de 18 e de 14 anos.
A greve geral foi convocada esta segunda-feira nas redes sociais após a morte na sexta-feira de um estudante universitário de 22 anos que caiu de um parque de estacionamento e sofreu ferimentos cerebrais graves em circunstâncias desconhecidas durante um protesto em 03 de novembro.
Os manifestantes culpam a polícia, que já negou categoricamente qualquer responsabilidade na morte do estudante.
O caos continuou a crescer esta manhã na ex-colónia britânica, com a greve a causar constrangimentos no trânsito em diferentes partes da cidade na hora de ponta.
Inúmeros elementos das forças de segurança, incluindo a polícia antimotim, foram mobilizados em diferentes distritos.
Após o incidente dos disparos, uma multidão furiosa reuniu-se em San Wai Ho e apelidou os polícias de "assassinos", que isolaram algumas das ruas naquela área.
Aparentemente, as universidades também estavam entre os alvos da polícia: relatos nas redes sociais indicam que a polícia antimotim entrou no campus da Universidade Politécnica e lançou gás lacrimogéneo, algo que se repetiu perto de outros dois campus universitários, o que causou a suspensão das aulas.
Em algumas estações de metropolitano, ativistas impediram que as portas se fechassem. Algumas estações foram encerradas e em outras o serviço de metropolitano sofreu cortes.
Muitas ruas foram bloqueadas com barricadas improvisadas construídas por manifestantes vestidos de preto, enquanto alguns cidadãos que foram trabalhar gritaram com os ativistas, acusando-os de perturbarem as suas rotinas.
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