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Hong Kong: Novos confrontos entre manifestantes e a polícia

Hong Kong, China, 31 out 2019 (Lusa) -- Novos confrontos com a polícia foram hoje registados em Hong Kong, onde centenas de pessoas aproveitaram o Dia das Bruxas (Halloween) para usar máscaras num protesto, desafiando uma recente proibição imposta pelas autoridades locais.


A manifestação realizada no centro da cidade, que não foi autorizada pelas autoridades daquela região administrativa da China, terminou poucas horas depois do seu início, com as forças policiais a recorrerem ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar as pessoas.


A ação da polícia desencadeou confrontos e foram registadas várias detenções.


No início de outubro, a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a proibição do uso de máscaras em eventos públicos, numa tentativa de travar a vaga de manifestações naquele território, nas quais muitos manifestantes usam máscaras para se proteger nomeadamente do gás lacrimogéneo lançado pelas forças de segurança.


O Halloween, que nesta antiga colónia britânica é encarado como uma tradição popular, leva muitas pessoas a usarem disfarces e a frequentarem festas alusivas ao tema.


Segundo as agências internacionais, algumas pessoas que só estavam a festejar o Dia das Bruxas foram confundidas por manifestantes.


"A vida em Hong Kong tem sido muito tensa nos últimos meses. Hoje é Halloween. Só quero passar bem o dia com alguns amigos, mas a polícia não deixa", disse, em declarações à agência espanhola EFE, Wong Tai-man, de 17 anos.


"É claro que esta máscara que uso é uma forma de protesto contra a brutalidade da polícia e do nosso Governo inapto", disse posteriormente o mesmo jovem.


Para prevenir possíveis incidentes durante as festividades do Halloween, a polícia estabeleceu hoje perímetros de segurança em várias áreas do distrito central de Hong Kong e em outras partes da cidade.


Hong Kong está a atravessar a pior crise política desde a sua transferência para as autoridades chinesas em 1997.


Nos últimos quatro meses, o território semiautónomo tem sido palco de manifestações pró-democracia que muitas vezes têm degenerado em confrontos entre as forças policiais e ativistas mais radicais.


Iniciada em junho contra um projeto-lei de alteração, entretanto anulado, à lei da extradição (que visava permitir extradições para Pequim), a contestação nas ruas generalizou-se e ampliou as suas reivindicações, denunciando atualmente o que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" e uma ingerência da China nos assuntos internos daquele território.


Com o passar dos meses, e perante a não cedência do executivo de Hong Kong e de Pequim, os protestos tornaram-se mais musculados, tanto da parte de ativistas mais radicais como das forças policiais.



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