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Macau: Air Macau voa para Seul apostando na retoma da economia sul-coreana

Arquivo Lusa 1999

Seul, 04 Nov (Lusa) - A certeza de que a economia sul-coreana entrou definitivamente num processo de retoma está na base da decisão da Air Macau de iniciar voos bi-semanais para Seul, disse o  presidente da Comissão Executiva da transportadora Leonel Miranda.

No decurso de uma conferência de imprensa realizada em Seul tanto Leonel Miranda como o presidente do Conselho de Administração, Li Keli realçaram, por diversas vezes, a confiança que depositam na economia sul-coreana e a convicção de que as relações comerciais e turísticas entre a Coreia do Sul e Macau continuarão a crescer no futuro.

Uma equipa da Air Macau esteve em Seul para contactos com as companhias aéreas locais - Korea Air e Asiana - responsáveis aeroportuários e operadores turísticos tendo, de acordo com as  declarações daqueles dois dirigentes da companhia, encontrado a maior abertura e receptividade possíveis.

"Importante para nós, que somos uma companhia aérea muito jovem, foi a informação prestada pelas duas transportadoras aéreas coreanas de que não têm quaisquer planos no futuro imediato para recomeçar ligações directas para Macau", disse Li Keli, para acrescentar que tal informação é bastante importante dado que a Air Macau não teria capacidade de concorrer em pé de igualdade com a Korea Air e a Asiana.

Quando questionados sobre qual a influência que a transferência de administração de Macau de Portugal para a China poderá ter nas operações da Air Macau, tanto Leonel Miranda como Li  Keli recordaram que no capital social da transportadora estão empresas chinesas, portuguesas e macaenses pelo que, disseram, "têm total confiança no futuro tanto do território como da empresa".

Li Keli revelou igualmente que esta nova rota aérea foi decidida tendo por base um conjunto de estudos de viabilidade cujas conclusões apontavam para o interesse comercial em abrir a rota.

"Se apenas agora o fazemos tal deve-se ao facto de anteriormente não dispormos de aviões em número suficiente".

O CEO da Air Macau salientou ter estado em Seul em Maio de 1997, numa visita exploratória do mercado sul-coreano. "Após a minha visita as duas transportadoras coreanas iniciaram voos para Macau que, no entanto, não se revelaram lucrativos. Tal ficou a dever-se à crise económica profunda que então atingiu a Coreia".

"Hoje, prosseguiu, a situação é completamente diferente. Além disso, tendo sido informados de que a Korea Air e a Asiana não têm planos imediatos para voar para Macau, não tenho grande dúvida que a operação Seul da nossa companhia virá a ter êxito", disse, para acrescentar que a transportadora do território conta, nesta sua iniciativa, com o apoio "total" da Air China e China Eastern em cujos escritórios, aliás, se realizou a conferência de imprensa.

"Não exploramos as mesmas rotas pelo que podemos perfeitamente cooperar e tornar a nossa actividade num jogo em que todos são ganhadores", disse Li Keli.

Os responsáveis da Air Macau estão igualmente convictos de que o seu agente na capital sul-coreana - a Dae-A Travel Service - irá garantir o número de passageiros suficiente para que esta nova aposta da transportadora do território venha a ser coroada de êxito.

Os planos futuros da administração da Air Macau mantêm-se sem grande alteração. Ser uma transportadora regional em primeiro lugar, de seguida internacional e mais tarde intercontinental.

No que respeita a esta última vertente, Leonel Miranda disse à agência Lusa que a companhia continua a estudar a realização de voos para a Europa mas adiantou que os mesmos não se realizarão tão depressa, tanto mais que a transportadora não dispõe de aparelhos para efectuar essas ligações.

"Mas mais do que voar para a Europa, temos de saber explorar a localização geográfica de Macau e fazer com que passe a ser um ponto de transferência para outros lugares. Macau está inserido no delta do Rio das Pérolas e há que saber aproveitar essa situação", disse o presidente da Comissão Executiva da transportadora.

Com o primeiro voo para Seul a ter lugar no próximo dia 10, a Air Macau irá ligar o território à capital sul-coreana duas vezes por semana, com o voo a deixar Macau 17:35 às quartas e sábados e a  deixar o aeroporto Kimpo às quintas e domingos pelas 08:55.

A Air Macau, incorporada em 13 de Setembro de 1994, dispõe de um capital social de 400 milhões de patacas distribuído por China National Aviation Corp. (51 por cento), SEAP - Serviços,  Administração e Participações, Lda (25 por cento), um joint-venture entre a TAP, BNU e Banco Comercial de Macau, Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), com 14 por cento e a administração do território com 5 por cento. Os restantes 5,0 por cento estão distribuídos por empresas de Macau e de Portugal (IPE) e por investidores privados.

Dispondo na sua frota de cinco Airbus A321 e três Airbus A320, a Air Macau voa actualmente para 18 destinos, com Seul a ser o décimo nono.

Lusa/Fim