Macau/99: Direitos, liberdades e garantias são o maior legado de Portugal, Jorge Rangel
Arquivo Lusa 1999
Macau, 14 Dez (Lusa) - O maior legado que Portugal deixa em Macau é o "conjunto amplo" de direitos liberdades e garantias de que a população local goza, defendeu hoje o responsável do governo local pelas questões da transferência da administração do território para a China.
"O legado fundamental de Portugal tem a ver com os valores da vida e com uma certa forma de estar, o maior legado é o conjunto amplo de direitos, liberdades e garantias de que a população goza, assente num edifício legislativo adaptado à realidade local, mas de raiz portuguesa", disse Jorge Rangel, secretário-adjunto do governo português do território.
Jorge Rangel afirmou, num encontro com jornalistas acreditados para a cobertura das cerimónias da transferência de poderes em 19 de Dezembro, que "o fim da administração portuguesa em Macau não significa o fim de uma presença".
Referiu a "envergadura invulgar" do consulado-geral que Portugal vai deixar em Macau, que será o maior consulado português no mundo, a Escola Portuguesa de Macau e o Instituto Português do Oriente como pontos de apoio da presença que fica.
O coordenador do governo local para as questões da transferência de poderes defendeu também que "a administração portuguesa assumiu em absoluto os compromissos decorrentes da Declaração Conjunta (Luso-Chinesa sobre o Futuro de Macau) criando todas as condições possíveis para o sucesso da futura Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)".
Neste aspecto, Rangel salientou a construção de infraestruturas, a formação de quadros e o reforço da identidade própria de Macau.
Jorge Rangel destacou o "papel positivo, ainda que modificado", que os macaenses deverão desempenhar na RAEM, "porque serão eles a contribuir para marcar a singularidade de Macau, a diferença de Macau no seio da China".
"A própria figura da Região Administrativa Especial adoptada pela China para a integração de Macau parte do princípio que há uma diferença no território", uma diferença que tem os macaenses como a sua face humana, disse Jorge Rangel. "
Não faz sentido que Macau seja uma região especial se não for diferente", adiantou.
Jorge Rangel reiterou ainda um apelo feito anteriormente para que a imprensa internacional continue a acompanhar Macau depois da transferência da administração, "porque o interesse internacional será também uma forma de garantia do futuro de Macau".
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