Macau/99: Movimento noticioso sem precedentes na China
Arquivo Lusa 1999
Pequim, 13 Dez (Lusa) - A eminente transferência de poderes em Macau está a suscitar um movimento noticioso e editorial sem precedentes na China, colocando diariamente o território na primeira página dos jornais chineses.
A CCTV (Televisão Central da China), com audiência potencial estimada em 900 milhões de espectadores, produziu mesmo uma telenovela passada em Macau e a Academia Chinesa de Ciências Sociais lançará, ainda esta semana, o seu primeiro estudo sobre a história das relações sino-portuguesas.
"Nunca se falou tanto de Macau como agora", diz o embaixador de Portugal na China, Pedro Catarino, que é também um dos diplomatas portugueses que melhor conhece o país.
Antes de ser nomeado para o actual posto, em 1997, Pedro Catarino foi cônsul-geral em Hong Kong, nos anos 80, e mais tarde chefiou a delegação portuguesa ao Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês.
Mais de 600 profissionais chineses estão acreditados para a cobertura da cerimónia de transferência de poderes em Macau, de 19 para 20 de Dezembro, e só a CCTV mobilizou 315 técnicos e
jornalistas.
Segunda-feira será feriado nacional na China, e além de Pequim, também Xangai, Cantão, Chongqing e outras cidades vão organizar "grandes celebrações" para saudar "o regresso de Macau à Pátria".
Macau é "a última parcela do território chinês ocupada por estrangeiros" e a transferência da sua administração para a China, dois anos e meio depois de Hong Kong, é considerada "mais um grande passo para a completa reunificação da Pátria".
A questão de Taiwan, ilha onde se refugiou o governo da antiga República da China depois do partido comunista chinês ter tomado o poder no continente, em 1949, "não pode ser indefinidamente adiada", advertiu no fim de semana a agência noticiosa oficial chinesa.
Lusa/Fim