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Macau/99: Macau sem portugueses seria uma “qualquer terra” da China – Rocha Vieira

Arquivo Lusa 1999

Macau, 13 Dez Lusa) - O governador Rocha Vieira realçou hoje o papel dos "filhos de Macau" na construção da sociedade local, frisando que não existiria Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) se os portugueses não tivessem permanecido no território mais de quatro séculos.

O general Vasco Rocha Vieira intervinha perante centenas de pessoas, no início de um jantar de homenagem e despedida promovido por várias associações de macaenses.

"Não haveria RAEM se não tivessem existido Portugal e os portugueses", disse, considerando que Macau seria, então, "uma terra qualquer perdida na imensa China", sem condições para aspirar ao estatuto que vai vigorar no território a partir de 20 de Dezembro e que está "bem definido", acentuou.

Ao recordar que o apoio aos macaenses "foi uma prioridade" do seu governo, Rocha Vieira concordou que, no processo da transição, "a incerteza da mudança dirigiu-se mais para a comunidade macaense".

"Muitos dos traços da nossa cultura vão permanecer num prazo ainda mais dilatado do que o previsto na Declaração Conjunta Luso-Chinesa", vaticinou, para considerar que "os portugueses são necessários e os macaenses indispensáveis" e que o Consulado de Portugal vai assegurar-lhes um apoio determinante para a preservação da sua identidade.

E, no momento mais empolgante do seu discurso, que suscitou um forte ovação, sublinhou: "Esta é a sua terra, trabalharam para ela e sem eles Macau não seria a mesma coisa".

"Quando a República Popular da China reconhece que a administração portuguesa realizou um bom trabalho, está a reconhecer que os macaenses têm a sua legitimidade na sua terra", acrescentou Rocha Vieira.

A presidente da Assembleia Legislativa de Macau, Anabela Ritchie, cuja intervenção antecedeu a do governador, tinha elogiado "a lisura de trato e o seu sentido humanista".

Anabela Ritchie advertiu que falava na qualidade de macaense- "filha desta terra aquela que mais me honra" - e pediu a Rocha Vieira para "acarinhar em Portugal as gentes de Macau e a sua cultura".

"A água do Lilau nunca nos enganou (diz o adágio local que "quem bebe água da Fonte de Lilau voltará a Macau"). Por isso, ficamos à espera do reencontro", disse.

Pouco antes da homenagem, Rocha Vieira presidiu à inauguração da nova sede da Associação dos Macaenses, uma das muitas instituições locais do género, cuja direcção é presidida por Luís Pedruco, que enalteceu a contribuição do governo para o reforço do associativismo.

Lusa/Fim