ENTREVISTA: Suposto diálogo do Governo de Hong Kong enfureceu mais as pessoas — Amnistia Internacional (C/ÁUDIO E C/VÍDEO)
*** João Carreira (textos) e Miguel Mâncio (vídeo), enviados da agência Lusa ***
Hong Kong, China, 01 out 2019 (Lusa) -- O diretor da Amnistia Internacional (AI) em Hong Kong defendeu em entrevista à Lusa que a plataforma de diálogo que o Governo do território estreou na passada semana só conseguiu enfurecer ainda mais a população.
Em entrevista na véspera da celebração dos 70 anos da fundação da República Popular da China que se assinalam hoje, Man-kei Tam defendeu que a primeira sessão de debate com a sociedade civil não foi um verdadeiro diálogo e que isso causou ainda maior indignação.
"Este não é um diálogo genuíno. Do que vimos na televisão, acabou por enfurecer ainda mais as pessoas", disse.
"Do que vimos deste suposto diálogo, (...) não foi uma genuína aproximação entre o Governo e os cidadãos de Hong Kong", acrescentou.
O responsável da AI na ex-colónia britânica, agora administrada por Pequim, frisou que o estádio onde ocorreu a iniciativa governamental para mitigar a crise política e social "tem capacidade para três mil pessoas, mas apenas 150 foram autorizadas e apenas a falarem durante três minutos (...) sem qualquer interação".
O debate, sustentou, "tem de ser mais aberto e mais interativo e (..) Carrie Lam, bem como o seu Governo, tem de ser mais recetiva à voz da população, seja a favor ou contra os protestos".
O Governo de Hong Kong anunciou a retirada formal das emendas à polémica lei da extradição que esteve na base da contestação social desde o início de junho.
Contudo, os manifestantes continuam a exigir que o Governo responda a quatro outras reivindicações: a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e, finalmente, a demissão da chefe de Governo e consequente eleição por sufrágio universal para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.
A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas".
Tal como acontece com Macau, para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.
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