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Macau deve defender soberania de Pequim e alto grau de autonomia — Chefe do Governo

Macau, China, 27 set 2019 (Lusa) - O chefe do Executivo de Macau defendeu hoje que o território deve, em simultâneo, advogar o patriotismo, respeitando a soberania de Pequim, e preservar o princípio 'um país, dois sistemas', que lhe confere um alto grau de autonomia.


"Devemos defender o princípio de 'um país' e aproveitar as vantagens dos 'dois sistemas'", afirmou Fernando Chui Sai On, numa cerimónia antecipada comemorativa dos 70 anos da fundação da República Popular da China (01 de outubro) e à qual assistiram representantes do Governo e de vários setores da sociedade.


O chefe do Executivo cessante, que deixa o cargo em 20 de dezembro, discursou ao lado do antecessor, Edmund Ho, que liderou o Governo entre 1999 e 2009, e do sucessor, Ho Iat Seng, eleito em 25 de agosto.


Para Chui Sai On, Macau "possui a honrosa tradição do patriotismo" e é exemplo "da boa concretização do princípio 'um país, dois sistemas'", dada a estabilidade, a harmonia e o rápido desenvolvimento económico da cidade, que em 2020 deverá registar o maior rendimento 'per capita' do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).


O chefe do Executivo sublinhou o desejo de Pequim de manter a estabilidade e a prosperidade nas duas regiões administrativas especiais, numa altura em que Hong Kong enfrenta, há mais de três meses, a mais grave crise política desde que a passagem da antiga colónia britânica para a China, em 1997, com ações e manifestações quase diárias contra o Governo e a exigir reformas democráticas.


"Devemos defender convictamente a articulação da soberania integral do Governo central com o alto grau de autonomia da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)", declarou Chui Sai On.


Também Edmund Ho, o primeiro líder da RAEM, salientou o "desenvolvimento extraordinário e milagroso" da China, "após 70 anos de reforma e revolução", e a importância do princípio 'um país, dois sistemas' no desenvolvimento do território.


Para Ho, só é possível garantir o desenvolvimento próspero de Macau com a aplicação deste princípio, do qual o território pode "ser exemplo" de sucesso.


"Só assim podemos garantir o desenvolvimento próspero, o desenvolvimento regional do rio das Pérolas, apostar na integração na Grande Baía, ajudando a prosperidade da China e consolidando as nossas raízes", afirmou durante a intervenção.


Por sua vez, o diretor do Gabinete de Ligação do Governo central na RAEM, Fu Ziying, indicou que a reforma e a abertura do país têm oferecido ao território "um palco extraordinário" para se desenvolver, enquanto as iniciativas chinesas "Uma Faixa, uma Rota" e a "Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau" têm permitido ao território conhecer "o seu posicionamento".


Lançada em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, a iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota" pretende reforçar as ligações e dinamizar o comércio entre várias economias da Ásia, do Médio Oriente, da Europa e de África, através do investimento em infraestruturas.


Com um orçamento inicial de cerca de 900 triliões de euros (um número astronómico, mesmo para a escala chinesa), a iniciativa também conhecida como "Nova Rota da Seda" conta com um arrojado plano de investimento em 68 países.


Já o projeto da Grande Baía pretende criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong (Dongguan, Foshan, Cantão, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai), numa região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto (PIB) que ronda os 1,2 biliões de euros, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.



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