RPChina/50 anos: Um país menos “vermelho”, mas mais próspero
Arquivo Lusa 1999
+++ Por António Caeiro, da Agência Lusa +++
Pequim, 29 Set (Lusa) - A República Popular da China é agora menos vermelha do que os seus fundadores imaginaram, há cinquenta anos, mas tornou-se maior e mais próspera, e segundo alguns analistas poderá ser até a "grande potência do século XXI".
Em Julho de 1997, Pequim reassumiu a soberania de Hong Kong e no próximo dia 20 de Dezembro acontecerá o mesmo em Macau, a primeira e última parcela da China ocupada por potências ocidentais.
Pela primeira vez em quase cinco séculos, todo o território chinês - incluindo Taiwan, a ilha onde se refugiou o governo nacionalista após a tomada do poder pelo partido comunista, no dia 1 de Outubro de 1949 - será governada por chineses.
As celebrações do 50.º aniversário da República Popular da China centram-se, contudo, nos "enormes sucessos" alcançados ao longo do último meio século, e "sobretudo" desde a adopção da política de "Reforma Económica e Abertura ao Exterior", no final da década de setenta.
Desde então, a economia chinesa cresceu em média dez por cento ao ano e o seu comércio externo passou do 32.º para o 11.º lugar do 'ranking' mundial.
No final de 1998, as reservas da China em divisas atingiram cerca de 145 mil milhões de dólares, as segundas maiores do mundo, a seguir ao Japão.
Dezenas de milhar de empresas estrangeiras, entre as quais as maiores multinacionais do planeta, estabeleceram-se na China,aproveitando a abundante e barata mão de obra do país.
Mais de duzentos milhões de pessoas deixaram de viver abaixo da "linha de pobreza", e nas províncias do litoral, as mais ricas da China, muitas já têm dinheiro para comprar casa e automóvel.
A década da "Grande Revolução Cultural Proletária" (1966-76), a última cruzada do fundador da República Popular da China, Mao Zedong, foi entretanto, considerada, "o maior retrocesso da história do socialismo na China".
Em vez do "aprofundamento da luta de classes", os sucessores de Mao Zedong defendem o desenvolvimento das forcas produtivas". A "revolução" foi substituída pelo desejo de "modernização".
"Socialismo não é miséria. Enriquecer é glorioso", proclamou o "arquitecto-chefe das reformas", Deng Xiaoping.
Os "avançados métodos de gestão dos países capitalistas desenvolvidos" são hoje abertamente encorajados, e a iniciativa privada já está consagrada na Constituição como "uma importante componente" da economia do país.
Por uma coincidência mais do que simbólica, a nata do "capitalismo internacional" reuniu-se esta semana em Xangai, num "global forum" organizado pela revista "Fortune". Mas duas décadas de trepidantes reformas suscitaram, também, "novos problemas e contradições".
Ao contrario do que acontecia durante o longo reinado de Mao (1949-1976), os chineses já não andam todos igualiatariamente vestidos de ganga azul e as diferenças sociais são tão acentuadas como nas sociedades "capitalistas".
A prostituição, os cultos supersticiosos e outros "demónios sociais" reapareceram, tão vivos como outrora.
A corrupção - uma das principais causas da impopularidade do regime derrubado há cinquenta anos - tornou-se "um vírus" susceptível de "arruinar o sistema socialista".
Contudo, o Partido Comunista Chinês mantém-se no poder, um feito de que os "camaradas" da Rússia e outros antigos socialistas não podem orgulhar-se.
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