Macau/99: Transição ficará como “exemplo” da cooperação Luso-Chinesa – Rocha Vieira
Arquivo Lusa 1999
Macau, 26 Set (Lusa) - O modo como se realizou a transição de Macau até à constituição da RAEM ficará como um exemplo permanente do valor do respeito pelo acordo atingido por Portugal e pela China, afirmou hoje em Macau o governador Rocha Vieira.
Falando numa cerimónia na Associação Comercial de Macau comemorativa da passagem a 01 de Outubro próximo do 50.º aniversário da República Popular da China, Rocha Vieira acrescentou que esse acordo "serviu de base de orientação e foi um factor essencial de confiança para que Macau pudesse realizar importantes investimentos, preparando-se para um papel activo na economia da região".
Rocha Vieira sustentou também não ser possível pensar o futuro, uma nova ordem mundial e condições de crescimento económico continuado em termos financeiros e em termos de pressões ambientais "sem considerar o contributo que a China terá de assegurar para que esses projectos e essas concepções sejam realizáveis".
"É neste quadro de novas oportunidades e de novas responsabilidades para os dirigentes e para o povo chinês que se insere o papel de Macau como uma plataforma de cooperação aberta aos agentes económicos de todas as partes do mundo, como uma ponte de entendimento entre culturas e concepções do mundo diferentes, como uma demonstração concreta do respeito pelos compromissos assumidos pelos Estados em negociações livremente desenvolvidas", afirmou.
Para o Governador, a futura Região Administrativa Especial de Macau, designação que o território adoptará após a transferência da Administração para a República Popular da China é "uma obra conjunta de Portugal e da China, como um exemplo indiscutível de seriedade de propósitos e de determinação no respeito pelos compromissos assumidos em acordos internacionais".
"Macau está preparado para o novo milénio, em condições de ter um papel activo e útil no desenvolvimento, na modernização e na abertura da China ao estabelecimento de relações estreitas com todas as regiões do mundo", concluiu o Governador.
Ao usar da palavra, o presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Man Kei, manifestou o desejo que Portugal e a China possam chegar a acordo no Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês sobre todos as matérias ainda em discussão e que estão relacionadas com o processo de transição.
Ma Man Kei referiu ainda que a visita do presidente chinês a Portugal, no mês de Outubro, poderá contribuir para o "reforço da cooperação amigável" entre Portugal e a China o que será benéfico para ambos os países.
O presidente da Associação Comercial apelou ainda a todos os sectores da sociedade macaense para "unirem esforços" e enfrentarem conjuntamente todas as dificuldades que possam surgir à Região Administrativa Especial de Macau.
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