icon-ham
haitong

Timor-Leste: Macau voltou a manifestar solidariedade para com o povo timorense

Arquivo Lusa 1999

Macau, 25 Set (Lusa) - Cerca de 500 pessoas juntaram-se hoje na escadaria das Ruínas de São Paulo para um encontro "Macau por Timor" que pretendeu "demonstrar, mais uma vez, a solidariedade da  população do território para com o povo irmão de Timor Lorosae".

Embora a organização tenha marcado o encontro para as 18:30 (11:30 em Lisboa), às 18:00 já a escadaria que dá acesso às Ruínas de São Paulo estava parcialmente ocupada por timorenses,  portugueses, chineses, filipinos que, na sua maioria, ostentavam uma peça de roupa branca.

Na zona central da escadaria, o Corpo de Escuteiros de Macau fez uma fila com velas, que mais tarde serviria de acesso à "Tocha da Paz" que um grupo de atletas macaenses e timorenses acendeu depois de percorrer cerca de dez quilómetros desde a ilha de Coloane com um facho acesso que simbolizou a "união de Macau a Timor".

Ao longo de duas horas e meia, o fado de Coimbra, o folclore, a música timorense e a Tuna do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, de Lisboa, vincaram a solidariedade de Macau por Timor e pelo seu povo, num encontro a que o governador, Rocha Vieira, e a mulher assistiram.

O encontro foi também marcado por diversos depoimentos de timorenses refugiados em Macau e por mensagens de dirigentes do Conselho Nacional da Resistência Timorense que apelavam à paz, à  união do povo para a construção do novo país e agradeciam à comunidade internacional e muito especialmente a Portugal o apoio e a ajuda na luta pela independência de Timor Lorosae.

Nas colunas de som instaladas pelo Leal Senado de Macau, as vozes de Leandro Isaac, João Carrascalão e Xanana Gusmão prenderam a atenção dos participantes no encontro, principalmente quando foi emitida nos diversos painéis gigantes instalados no recinto um excerto da entrevista de Xanana Gusmão à RTP na qual o presidente do CNRT agradeceu aos portugueses o "amor" que têm demonstrado pela causa timorense.

A atenção dos participantes do encontro esteve ainda centrada num painel gigante de 14 por nove metros que cobria parcialmente a fachada da antiga igreja de São Paulo e que reproduzia a primeira  página do "Diário de Timor", um título imaginário que pretendeu dar a conhecer à comunidade local o problema que Timor-Leste vive há 24 anos.

A "edição especial" do "Diário de Timor" dava à estampa três fotografias onde se viam crianças presas pelas grades indonésias, vários cadáveres alinhados e um "instantâneo" obtido em Macau em que  as lágrimas correm pela face de timorenses.

As "notícias" pediam à comunidade internacional que não esqueça o território porque, "terminada a violência, Timor-Leste tem de continuar nas primeiras páginas dos jornais" e a "paz e a reconstrução têm de continuar a ser notícia".

"Agora há que reconstruir um país das cinzas. O seu donativo vai ser certamente preciso" e "o povo timorense pagou um preço bastante alto pela liberdade e pela paz e deu um exemplo único de  dignidade e coragem, um exemplo a seguir pelos que acreditam que a violência não vencerá no século XXI" completavam as mensagens inseridas no "Diário de Timor".

Pouco depois de a voz de Luís Represas ter sido acompanhada em "Ai Timor" pelos participantes no encontro e quando a organização ia encerrar mais um acto de solidariedade de Macau por Timor-Leste, uma criança portuguesa, Carolina Branco, de oito anos, quis usar da palavra para dizer apenas que "os indonésios não querem sair de Timor por causa do petróleo".

Entre palmas dos adultos e algumas felicitações pela espontaneidade das palavras da pequena Carolina, os participantes deixaram o recinto das Ruínas de São Paulo.

Lusa/Fim