Futuro líder de Macau promete bloquear “intervenção de forças estrangeiras” no território
Macau, China, 12 set 2019 (Lusa) - O chefe do executivo eleito de Macau, prometeu hoje defender a segurança nacional e bloquear a "intervenção de forças estrangeiras na cidade", sublinhando que o território "tem de ficar imune a perturbações por ser uma cidade turística".
À saída de Pequim, Ho Iat Seng, depois de na quarta-feira ter sido nomeado chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, em Zhongnanhai, prometeu "bloquear efetivamente a ingerência e intervenção de forças estrangeiras na cidade, bem como assegurar que a linha de 'Um País' não será ultrapassada, numa altura em que Hong Kong é palco há mais de três meses de protestos pró-democracia.
De acordo com o comunicado divulgado pelas autoridades de Macau, Ho Iat Seng disse ainda que "Macau tem de ficar imune a perturbações por ser uma cidade turística, e como tem por principal fonte de receitas o setor do turismo e do jogo, é necessário salvaguardar o bem-estar dos cidadãos".
Para o chefe do Executivo eleito, Macau não deve ser comparado "com quaisquer territórios vizinhos, uma vez que cada um tem as suas especificidades e características próprias".
Ho Iat Seng manifestou ainda agrado por ter sido recebido na quarta-feira pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que, referiu, o encorajou a "ser ambicioso, a ter uma visão de futuro e perspetivas abrangentes".
Macau foi integrado na República Popular da China em 1999 sob a fórmula 'um país, dois sistemas', que garante que as políticas socialistas em vigor no resto da China não se aplicam em territórios que gozam de "um alto grau de autonomia", à exceção da Defesa e das Relações Externas, que são da competência exclusiva do Governo central chinês.
Durante a cerimónia de nomeação de Ho Iat Seng, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apontou o "progresso notável" em Macau, desde o retorno da soberania à China, com rápido crescimento económico e "melhoria sustentada" da qualidade de vida da população.
Li destacou ainda a harmonia, estabilidade social e contínuo fortalecimento do intercâmbio e cooperação com o continente chinês, numa altura em que a região vizinha de Hong Kong é palco de protestos antigovernamentais.
"Espero e acredito que o executivo se unirá para liderar Macau e todos os setores da sociedade a aproveitar as oportunidades trazidas pela construção da Grande Baía, visando acelerar o desenvolvimento diversificado de Macau e melhorar continuamente o nível de vida da população", afirmou.
Lembrando que este ano se celebra o 20.º aniversário desde a transferência de administração de Macau, Li Kegiang disse que o Governo central "continuará a implementar com precisão e integralmente" os princípios da fórmula "um país, dois sistemas", conferindo "alto grau de autonomia" à região.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau Ho Iat Seng foi eleito, no mês passado, chefe do executivo do território e vai tomar posse no dia 20 de dezembro, substituindo Fernando Chui Sai On, há uma década no cargo.
Ho Iat Seng, de 62 anos, único candidato ao cargo de chefe do Executivo após ter recebido o aval de Pequim, foi eleito com 392 votos a favor, sete em branco e um nulo de uma comissão eleitoral composta por 400 membros, representativos dos quatro setores da sociedade.
A Lei Básica de Macau (miniconstituição) define os quatro setores da sociedade como: industrial, comercial e financeiro; cultural, educacional, profissional; do trabalho, serviços sociais, religião; representantes dos deputados à Assembleia Legislativa e dos membros dos órgãos municipais, deputados de Macau à Assembleia Popular Nacional chinesa e representantes dos membros de Macau no Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.
O futuro chefe do Governo estreou-se como deputado em 2009, ano em que foi eleito para o cargo de vice-presidente da AL. Quatro anos depois, passou a presidir aquele órgão. Até abril deste ano foi um dos 175 membros do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular chinesa, o órgão máximo legislativo da China.
Ex-membro do 13.º Comité Permanente da APN, apresenta ainda no seu currículo os cargos de vice-presidente da Associação Comercial de Macau e presidente vitalício da Associação Industrial de Macau.
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