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Saramago, polémico, sentiu-se “mais seguro” em Luanda do que em S. Paulo

Arquivo Lusa 1999

Maputo, 16 Set (Lusa) - O Nobel da Literatura português, José Saramago, afirmou hoje ter-se sentido "mais seguro em Luanda do que em S. Paulo", manifestando estranheza com a afirmação de que os escritores portugueses "receiam" pela sua segurança em Angola.

A justificação foi prestada hoje pela directora do Instituto Camões, Armandina Maia, a propósito da critica do Nobel de "nos últimos três anos apenas dois escritores portugueses visitaram Luanda", em  comparação com o "batalhão" presente em Moçambique.

"Diga-se a verdade. Têm caído no meu gabinete manifestações de receio de que não é garantida a segurança de escritores, e que não querem arriscar a pele", disse Armandina Maia.

O escritor angolano Uanhenga Xitu, também deputado, lançou um desafio - disse que "bandidos há em qualquer parte" e que "isso não pode acontecer!".

Referiu que numa cidade concebida para 600 mil pessoas vivem hoje três milhões, mas - disse - em Luanda, há segurança.

Saramago voltou a gerar polémica quando a propósito do insuficiente trabalho na defesa da língua portuguesa na diáspora, e da necessidade de se efectuar um debate sobre o problema, se referiu a Macau, "onde não se ouve falar português", como "do passado" e a Timor-leste como "presente e futuro".

Sena Fernandes, representante de Macau, insurgiu-se pelo facto de se considerar "passado" a cultura portuguesa no território que vai passar para a China.

Afirmou-se originário de uma família de 250 anos e continuará a lutar pela língua portuguesa.

O Nobel português disse merecer-lhe aquela atitude "muito respeito e admiração", referiu que a comunidade que lá fica deve ser apoiada, mas considerou que "aquele Macau que tinha que ver com a  cultura portuguesa caiu, é passado".

A questão, disse, é saber se o governo português "vai assegurar a cultura em Macau para ser digna de um passado", pois nos últimos anos deixou um rasto, construiu uma série de esculturas, mas são pedras mortas" e o que queríamos, acentuou, "eram pedras vivas da cultura portuguesa".

José Saramago reúne-se sexta-feira com a Associação de Escritores de Moçambique e faz sábado uma palestra numa Universidade.

Lusa/Fim