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Timor-Leste: Xanana pede ajuda ao Governo de Macau para receber refugiados

Arquivo Lusa 1999

Macau, 06 Set (Lusa) - O presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT) solicitou hoje ao governador de Macau que acolha refugiados timorenses enquanto a situação em Timor-Leste se mantiver instável.

O pedido de Xanana Gusmão a Rocha Vieira foi transmitido por Manuel Tilman, membro do CNRT residente em Macau, durante uma audiência concedida pelo governador no Palácio da Praia Grande, sede do Governo.

Macau tem sido um ponto de passagem de centenas de timorenses que fugiram de Timor-Leste ao longo dos últimos anos, permanecendo no território sob administração portuguesa durante alguns meses antes de fixarem residência em Portugal ou na Austrália.

O apelo de Xanana Gusmão, segundo Manuel Tilman, fica a dever-se à situação de "guerra" que se instalou em Timor-Leste depois do anúncio dos resultados da consulta popular de 30 de Agosto que deram a vitória à independência do território ocupado pela Indonésia.

Manuel Tilman referiu, no entanto, que no caso de Macau receber alguns refugiados, eles voltarão a Timor-Leste logo que a situação no território o permita.

"É uma acção idêntica àquela que foi desencadeada para ajudar o povo do Kosovo", afirmou Manuel Tilman.

Durante o encontro com Rocha Vieira, Manuel Tilman, que se encontrava acompanhado pelos dirigentes timorenses locais, padre Francisco Fernandes, Francisco Nicolau e Eduardo Massa, deu ainda a conhecer ao governador de Macau a situação que se vive actualmente em Timor-Leste e agradeceu a Portugal pelos esforços que estão a ser desenvolvidos para resolver o problema do território.

Manuel Tilman disse ainda que a vinda de refugiados timorenses para Macau está dependente dos resultados que possam ser obtidos pela missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas que está a caminho de Jacarta.

Manuel Tilman, antes de se avistar com o governador Rocha Vieira, acompanhado de cerca de duas dezenas de timorenses, entregou na agência Xinhua - de facto a representação diplomática de Pequim em Macau - uma carta dirigida ao presidente chinês onde apela a que o Governo da República Popular apoie o envio de uma força internacional de paz para Timor-Leste no sentido de "salvar" a dignidade das Nações Unidas e o povo de Timor.

A missiva, assinada pelo padre Francisco Fernandes e pelo advogado Manuel Tilman, ambos dirigentes do CNRT residentes em Macau, é dirigida ao presidente chinês, Jiang Zemin.

A carta lembra ao presidente chinês que a Indonésia assinou com Portugal e com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas "o compromisso de garantir a ordem pública e a segurança do povo de Timor Lorosae durante e após o acto de consulta popular de 30 de Agosto de 1999" e que uma parte da população do território "pertence à grande comunidade chinesa".

Ao sublinharem que a República Popular da China se rege, nas suas relações internacionais, pelos "princípios da independência nacional, do direitos dos povos à autodeterminação e à independência", os subscritores solicitam a Jiang Zemin que, através do seu lugar no Conselho de Segurança, apoie o envio de uma força internacional de paz para o território ocupado pela Indonésia em 1975.

A República Popular da China foi dos poucos países que em 1975 reconheceu a República Democrática de Timor-Leste quando esta foi decretada unilateralmente a 28 de Novembro pela Fretilin.

A China restabeleceu relações com Jacarta já nos anos 90, depois de ter reatado os contactos diplomáticos após o golpe de estado de 1965.

Lusa/Fim