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Presidente da Fed promete apoiar a economia mas sem mencionar se baixa os juros

Washington, 23 ago 2019 (Lusa) - O presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, prometeu hoje agir para apoiar a expansão económica dos Estados Unidos, mas sem mencionar um eventual corte nas taxas de juro.


Num discurso na conferência de Jackson Hole, que reúne dirigentes dos principais bancos centrais, Powell disse que, apesar de as perspetivas económicas norte-americanas serem favoráveis, continuam a enfrentar riscos, com um agravamento da situação internacional que se deve, em parte, "à incerteza comercial".


"As perspetivas de crescimento mundial deterioraram-se desde meados do ano passado. A incerteza da política comercial parece estar a contribuir para uma desaceleração mundial e para debilitar o setor de manufatura e o investimento nas empresas nos Estados Unidos", afirmou.


Powell indicou que nos últimos meses surgiram "mais evidências" desse abrandamento global, "especialmente na Alemanha e na China".


O líder da Reserva Federal (Fed) afirmou também que o banco central continua empenhado em apoiar a inflação, que está baixa.


A nível internacional, o líder da Fed mencionou uma longa lista de obstáculos económicos, como "a possibilidade cada vez maior de um 'Brexit' duro", a tensão em Hong Kong e a crise política em Itália.


Citou também a volatilidade nos mercados bolsistas e a queda de rendimentos das obrigações.


A conferência de Jackson Hole, que decorre até sábado, não conta este ano com a participação do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que termina o seu mandato no final de outubro, mas terá intervenções do governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, e da economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Gita Gonipath, que recentemente questionou a eficácia da política comercial do Presidente norte-americano.


Donald Trump tem atacado sucessivamente o banco central, acusando-o de travar o crescimento económico ao aumentar as taxas de juro "muitas vezes e demasiado depressa".


As críticas de Trump à Fed visam em particular as subidas dos juros decididas em 2018, que levaram a um reforço do dólar, numa altura em que os Estados Unidos estavam já envolvidos numa guerra comercial com a China.


O Presidente, que já está em campanha para um segundo mandato, reclama uma descida de um ponto percentual na principal taxa da Fed para impulsionar a competitividade e o crescimento.


Após o discurso de Powell em Jackson Hole, Trump questionou, numa mensagem na rede social Twitter, se o presidente do banco central não será "um inimigo pior" que o presidente chinês, Xi Jinping.


"Como é habitual, a Fed NADA FEZ", escreveu Trump.


Hoje, a China anunciou a sua intenção de impor novas taxas aduaneiras a produtos importados dos Estados Unidos no valor de 75 mil milhões de dólares, retaliando as tarifas suplementares que Washington prevê instaurar nos próximos meses a produtos chineses.


Trump também indicou no Twitter que vai responder ainda hoje a estas medidas anunciadas pela China.



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Lusa/Fim