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Macau/99: China festeja “regresso à Pátria” a pensar em Taiwan

Arquivo Lusa 1999

+++ Por António Caeiro, da Agência Lusa +++

Pequim, 11 Dez (Lusa) - Meio século depois da guerra civil chinesa ter terminado, as forças armadas da China continuam a chamar-se Exército Popular de Libertação (EPL) e é com esse nome que  vão entrar em Macau, no dia 20 de Dezembro.

"O poder está na ponta da espingarda", como dizia o antigo presidente Mao Zedong, e o "glorioso" EPL é "uma Grande Muralha de ferro e aço em torno do Partido Comunista e do socialismo",  acrescentaria o "arquitecto-chefe" das reformas, Deng Xiaoping.

As associações de moradores e as outras "organizações de massas" que estão a ser mobilizadas para saudar a entrada do EPL em Macau oferecerão às câmaras de televisão imagens espectaculares do "regresso à Pátria" do último enclave ocidental na China, mas desta vez não se trata de uma vitória militar nem de implantar o socialismo.

"O regresso de Macau à Pátria põe um fim à humilhação do povo chinês e pela primeira vez em meio milénio, nenhuma parte da Ásia estará sob o domínio europeu", informou sexta-feira a agência noticiosa oficial chinesa.

Macau foi "a primeira parcela da China ocupada por estrangeiros", no século XVI, e a sua transferência para a administração chinesa, quase 450 anos depois, será "mais um grande passo para a completa reunificação da Pátria".

A partir do dia 20 de Dezembro faltará apenas resolver "a questão de Taiwan", a ilha onde se refugiou o governo da antiga República da China depois do partido comunista chinês ter tomado o  poder no continente, em 1949.

Em 1995, numa reunião do Politburo do PCC sobre a futura guarnição do EPL em Hong Kong, o presidente Jiang Zemin avisou os seus pares que "ninguém deve pensar que a transferência de poderes é como a marcha do EPL para o Sul nos velhos tempos (da guerra civil)".

O aviso, relatado por Bruce Gilley na primeira grande biografia do sucessor de Deng Xiaoping publicada no Ocidente ("Tiger on the Brink - Jiang Zemin and China s New Elite"), deverá servir  igualmente para Macau.

Segundo a f´rrmula "um País, dois Sistemas", lançada no início dos anos oitenta para promover a "reunificação pacífica" e já adoptada em Hong Kong, as "políticas socialistas" em vigor no resto da República Popular da China não se aplicarão na futura Região Administrativa Especial de Macau.

Excepto nas áreas da defesa e relações externas, Macau gozará de um "alto grau de autonomia", e o governo central chinês não cobrará impostos no território.

Após a transferência de poderes em Macau, "a reunificação com Taiwan será ainda mais urgente", disse sexta-feira o presidente chines, Jiang Zemin, num encontro com o seu homólogo russo, Boris Ieltsin.

Lusa/Fim