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Macau/99: Criminalidade interessa a forças conservadoras, Rocha Vieira

Arquivo Lusa 1999

Macau, 10 Dez (Lusa) - Os fenómenos de criminalidade em Macau são do interesse das forças conservadoras do território, que "não acreditam que se pode lutar contra o crime respeitando a lei",  considerou hoje o governador Rocha Vieira.

"A insegurança é do interesse de muitos", declarou Rocha Vieira, o último governador do território, durante uma cerimónia de despedida das Forças de Segurança de Macau (FSM).

O governador referia-se a interesses de "forças conservadoras do território, que não acreditam que se pode lutar contra a criminalidade num clima de tolerância, de respeito pela lei e de abertura".

Rocha Vieira aproveitou também a cerimónia de despedida das FSM para criticar os que "não acreditam que se pode manter a lei, a estabilidade e a ordem interna apenas com as forças de segurança".

O governador aludia a posições que defendem que o estacionamento de tropas chinesas em Macau, depois da transferência da administração para a China, contribuirá para a segurança pública do território.

Macau foi atingido nos últimos dois anos por uma vaga de crimes violentos gerada por conflitos entre organizações criminosas locais envolvidas em actividades ilícitas nos casinos locais.

Hoje, a nove dias da transferência da administração, Rocha Vieira condecorou efectivos das corporações das FSM - Polícia de Segurança Pública, Polícia Marítima e Fiscal e Corpo de Bombeiros -  agradeceu o trabalho das forças de segurança "em nome da liberdade, da democracia e da garantia dos direitos e liberdades individuais".

O governador de Macau referiu ainda a importância do trabalho das instâncias judiciais para que os valores da defesa do primado da lei e da liberdade sejam uma realidade na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

A RAEM será instituída às primeiras horas do dia 20 de Dezembro, logo depois de Portugal entregar a administração de Macau à China, pondo fim a mais de 430 anos de governo português no  território.

Lusa/Fim