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Exército chinês difunde vídeo de tropas em Hong Kong em ensaio antimotim

Pequim, 01 ago 2019 (Lusa) - O exército chinês difundiu hoje um vídeo das suas tropas em Hong Kong num exercício, numa altura de incerteza na região, que há dois meses é palco de protestos por reformas democráticas, desafiando o Governo central.


Na véspera do aniversário da fundação do Exército de Libertação Popular, a guarnição de Hong Kong das forças armadas da China publicou nas redes sociais um vídeo de três minutos que mostra soldados a saltar de helicópteros, fazer tiro ao alvo e a lançar gás lacrimogéneo contra uma multidão vestida à civil.


O vídeo, designado "ensaio antimotim", mostra ainda soldados com equipamento de choque a disparar canhões de água, em cenas que se assemelham aos confrontos que têm ocorrido entre os manifestantes e a polícia de Hong Kong.


Alguns dos civis retratados no vídeo usam capacetes e máscaras, também semelhantes aos usados pelos manifestantes que tomaram as ruas de Hong Kong nos últimos dois meses.


Os soldados seguram um aviso em vermelho onde se lê "parem de avançar ou usamos a força".


O mesmo aviso foi usado, nas últimas semanas, pela polícia de Hong Kong.


No final do exercício, os soldados levam alguns civis algemados.


Esta semana, as autoridades de Hong Kong acusaram formalmente 44 pessoas de participarem em tumultos, o que acarreta uma pena de até 10 anos de prisão.


A contestação nas ruas foi iniciada contra uma proposta de lei que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial chinesa a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.


A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora o que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica que é atualmente uma região administrativa especial da China.


A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.


Esta semana, o Governo chinês considerou que os manifestantes "excederam os limites aceitáveis", face à crescente violência e atos de vandalismo na Assembleia Legislativa de Hong Kong e no edifício do Gabinete de Ligação do Governo central na região.


Pequim lembrou ainda uma lei que contempla a possibilidade de o governo da região semiautónoma pedir apoio aos militares chineses para "manter a ordem pública".



JPI // FPA


Lusa/Fim