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Timor-Leste: Delegação de Macau para a consulta regista 13 pessoas no primeiro dia

Arquivo Lusa 1999

Macau, 16 Jul (Lusa) - A delegação de Macau para a consulta popular em Timor-Leste aceitou hoje, primeiro dia do processo, 13 pedidos de recenseamento, disse à agência Lusa Tanya Sisler, responsável em Macau pelo registo de votantes.

Tanya Sisler, representante em Macau da Organização Mundial para as Migrações (OIM), disse ainda que esta noite (hora local) vai manter encontros com a comunidade timorense residente em Macau e, em consequência, espera que nos próximos dias seja maior a afluência ao balcão de recenseamento.

A OIM, que, a pedido da UNAMET, organiza todo o processo de consulta popular no exterior de Timor-Leste, exceptuando a Austrália, conta recensear em Macau entre 200 e 600 pessoas.

O segundo pedido de registo veio de Inácio Alberto de Jesus, estudante, 28 anos, residente nas Filipinas desde 1994, que se deslocou até Macau para votar e para se recensear.

Inácio de Jesus, apoiante da independência, garante que a viagem de 1500 quilómetros valeu a pena. "Seja longe, seja perto, seja muito difícil, eu quero votar, porque a partir de hoje pode-se construir Timor".

Inácio de Jesus garante também que o que mais deseja "é voltar, um dia, para Timor, para poder ajudar".

Numa das secretárias do escritório de Macau da OIM pode ler-se um comunicado em que a UNAMET esclarece que "o voto por correio é interdito", acrescentando que "o voto secreto, tanto em Timor-Leste como no exterior, é da mais alta prioridade".

A terceira pessoa a recensear-se foi o padre Francisco Fernandes, um dos líderes da comunidade timorense de Macau, que garante que em Macau quase todos os timorenses vão votar pela  independência.

"Hoje é um dia histórico, é o princípio da independência", disse Francisco Fernandes, acrescentando que "23 anos de luta é tempo mais que suficiente para provar que a população de Timor rejeita a Indonésia".

Macau, segundo o padre Fernandes, "não foge à regra, ninguém quer a Indonésia. Muita matança, muita violência, muito sofrimento. Agora, chega".

O líder da comunidade timorense salientou também o facto de que o fluxo de refugiados de Timor-Leste para Macau não pára, esperando-se que nas próximas semanas cheguem mais 30 timorenses ao  território.

"Por exemplo, em Bali, os estudantes pró-independência estão constantemente a ser ameaçados e incomodados", acrescentou Francisco Fernandes.

O processo de recenseamento eleitoral prolonga-se até ao próximo dia 04 de Agosto, e a consulta popular deve ser levada a cabo no dia 22 de Agosto.

Lusa/Fim