Jiang Zemin: Sampaio fala de Macau e Timor-Leste ao presidente chinês
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 26 Out (Lusa) - O Presidente da República, Jorge Sampaio, considerou hoje em Lisboa que a transferência de Macau constituirá um "momento ímpar" para Portugal e a China e agradeceu ao seu homólogo chinês o apoio na questão timorense.
Dirigindo-se a Jiang Zemin durante um banquete em honra do presidente chinês, no Palácio da Ajuda, Jorge Sampaio salientou que Portugal p"de contar com a "construtiva posição da China" no seio do Conselho de Segurança da ONU durante as "semanas de horror que tão tragicamente se sucederam à livre escolha dos timorenses".
Referindo que importa agora olhar para os "desafios da reconstrução e do nascimento do novo Estado de Timor-Leste", Jorge Sampaio sublinhou a "importância do apoio da China nessa grande tarefa com que os timorenses se deparam, a qual dificilmente poderão levar a cabo sem a solidariedade da comunidade internacional e o empenho da maior potência regional".
Jorge Sampaio considerou também que a visita oficial que Jiang Zemin efectua a Portugal "reflecte a excelência das relações" entre os dois países e o "desejo mútuo de as aprofundar e desenvolver numa perspectiva de futuro".
A visita do Presidente da República Popular da China constitui igualmente "penhor do êxito da transferência do exercício da soberania sobre Macau", disse Jorge Sampaio.
No âmbito da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, assinada em 1987, a China vai reassumir o exercício da soberania sobre Macau em 20 de Dezembro próximo, atribuindo ao território um estatuto de Região Administrativa Especial, com um elevado grau de autonomia.
Jorge Sampaio referiu que Portugal e a China irão assinalar de "forma condigna" a cerimónia de transferência de Macau, que simbolizará a "forma exemplar como decorreu o processo de transição" do território.
A Declaração Conjunta - prosseguiu - definiu um modelo de transição "assente na promoção da estabilidade e da prosperidade da população de Macau, bem como na defesa da especificidade e autonomia do território".
Portugal e a China "assumiram o compromisso, que souberam honrar, de uma responsabilidade partilhada na concretização de tais objectivos, no respeito pelas competências de ambas as partes", disse.
O presidente considerou que os "inúmeros entendimentos" entre as duas partes, bem como a "criação de infraestruturas essenciais e a modernização do território empreendidas pela Administração portuguesa, permitiram que o modelo definido pela Declaração Conjunta fosse efectivamente aplicado com êxito".
"Estou certo de que o mesmo espírito de responsabilidade continuará a orientar as duas partes de molde a que as questões ainda pendentes sejam encerradas com pleno sucesso", salientou.
Dessa forma, a futura Região Administrativa Especial de Macau poderá "usufruir de um elevado grau de autonomia e manter basicamente inalterados os sistemas político, económico, social e cultural vigentes", afirmou.
Jorge Sampaio manifestou-se também confiante no incremento das relações entre Portugal e a China, destacando que as trocas comerciais e comerciais, a cooperação científica e tecnológica e o intercâmbio cultural são "domínios de grande potencial para o futuro".
O presidente assegurou ainda que Portugal vai procurar reforçar as relações entre a China e a União Europeia, cuja presidência assumirá no primeiro semestre de 2000, e acrescentou que a inserção da República Popular nas instituições internacionais constitui factor de equilíbrio e de estabilidade política e económica no contexto regional e mundial.
Lusa/Fim