Jiang Zemin: Amnistia impedida de se manifestar em frente à CML
Arquivo Lusa 1999
Lisboa, 26 Out (Lusa) - Os elementos da Amnistia Internacional (AI) que pretendiam manifestar-se junto da Câmara Municipal de Lisboa, onde se encontra o presidente chinês, Jiang Zemin, foram impedidos por elementos da PSP de se aproximarem da Praça do Município.
Apesar de terem autorização do Governo Civil de Lisboa para a manifestação, as mais de uma centena e meia de pessoas que pretendiam concentrar-se no local foram impedidas de se aproximar do edifício camarário, mesmo com as insistências de Teresa Nogueira, representante da Amnistia, garantindo a legalidade da concentração.
"Os polícias têm obrigação de nos deixar passar. Temos autorização e perante esta ilegalidade vamos apresentar uma queixa", garantiu Teresa Nogueira, em declarações à Agência Lusa.
Os manifestantes que se encontram no início da Rua do Arsenal, junto à Praça do Comércio, exibem fotografias de torturas e de humilhação de pessoas, bem como camisolas exigindo à China que respeite os direitos humanos.
O Bloco de Esquerda (BE) juntou-se ao protesto com cartazes denunciando que "a ditadura está a passar por Lisboa".
Miguel Portas, do BE, disse à Lusa compreender que Portugal tenha uma questão para resolver com a China, que é Macau, "mas não faz qualquer sentido estar a alimentar o capitalismo selvagem e a ditadura chinesa" em cerimónias como esta.
Também Paula Teixeira da Cruz, deputada municipal do PSD na Câmara Municipal de Lisboa, definiu a entrega da chave da cidade a Jiang Zemin por João Soares como um "acto de hipocrisia política e de irresponsabilidade", na pessoa de um representante de um regime repressivo e ditador.
Alguns dos elementos da Amnistia Internacional foram levados por vereadores da oposição, que tentaram abrir-lhes caminho para a Praça do Município, mas sem conseguirem passar.
Como previsto, a AI exibia uma enorme chave de madeira com a inscrição "China - Direitos Humanos Já".
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