icon-ham
haitong

Macau: Retorno à soberania chinesa gera estímulos económicos – Banco da China

Arquivo Lusa 1999

Macau, 13 Out (Lusa) - O retorno da soberania de Macau à República Popular da China está a gerar alguns estímulos económicos, muito particularmente na indústria turística, afirma o grupo Banco da  China na sua mais recente análise sobre o território.

Para os analistas daquele grupo, os grandes projectos de construção relacionados com as cerimónias de transferência de administração estão igualmente a ser favoráveis à economia local devido ao investimento realizado.

Independentemente destes estímulos, o Banco da China afirma que a economia do território continua em recessão, em contraste com os países e territórios vizinhos.

"No entanto, com a indigitação do chefe do executivo e dos principais responsáveis da futura RAEM pelo governo central da China, diversas sectores da sociedade prevêem um futuro desenvolvimento  económico".

A análise passa depois em revista os diversos indicadores económicos de Macau, nomeadamente a procura doméstica, desemprego, inflação e investimento público e acentua que os quatro grandes da  economia local estão numa situação genericamente fraca.

A indústria do jogo tem visto as suas receitas brutas cair, o número de turistas aumenta, mas as melhorias no sector são mais em termos de volume do que de receitas, existe um desequilíbrio imenso  entre a oferta e a procura no sector imobiliário com 50 mil fogos devolutos e os lucros do sector financeiro estão em queda.

O Banco da China diz ainda que a capacidade própria de ajustamento da economia de Macau é fraca tendo em atenção que nunca dispôs de planos a médio e longo prazos. Os ajustamentos feitos têm sido parciais e de uma forma passiva às alterações registadas nas economias vizinhas.

"Tendo em atenção as recentes alterações nas economias vizinhas, este modelo de desenvolvimento é um entrave ao desenvolvimento económico de Macau", afirma o grupo, para acrescentar que se os países asiáticos atingidos pela crise estão já num processo de recuperação, "Macau continua incapaz de sair da sua recessão longa de quatro anos.

O Banco da China diz igualmente ser urgente resolver o problema das dívidas das empresas de capital chinês, que está a afectar de uma forma séria o desenvolvimento económico do território.

"É necessário encontrar uma solução para o problema das empresas chinesas. De outra forma, não apenas essas empresas continuarão a enfrentar grandes dificuldades que atingirão igualmente a banca e indústrias relacionadas", acrescenta.

Quanto às perspectivas, os analistas dizem que tendo em atenção as condicionantes internas e externas, a economia de Macau não deverá registar uma deterioração muito maior mas, dada a inexistência de condições para a retoma ou recuperação, o crescimento este ano deve permanecer negativo.

No entanto, Macau deverá aproveitar as suas vantagens comparativas, que se centram no facto de ser a "Monte Carlo do Oriente", com o sector do jogo a apresentar uma competitividade elevada, dispõe de um sistema fiscal simples e com taxas reduzidas e com custos operacionais mais baixos do que os de Hong Kong e é não apenas uma porta para a União Europeia e os países latinos, mas também uma plataforma para os taiwaneses efectuarem voos "directos" para o continente chinês.

Lusa/Fim