Macau/99: Aprender mandarim para a transferência da administração
Arquivo Lusa 1999
Macau, 08 Jul (Lusa) - A aproximação da transferência da administração de Macau para a China em 19 de Dezembro está a gerar uma procura crescente de cursos de mandarim, língua oficial chinesa, com mais de 2.000 pessoas a estudarem em regime extra-curricular.
"A aprendizagem do mandarim tornou-se um imperativo para os residentes de Macau", disse hoje à Lusa Lei Kun Teng, coordenador de Educação Geral no Instituto de Estudos Chineses (IEC) da Universidade de Macau (UM).
Para Lei Kun Teng, que se manifestou certo de um aumento rápido do número de interessados em aprender mandarim, a língua oficial chinesa "será largamente usada (em Macau) e facilitará a comunicação".
A UM, a Escola Superior de Línguas e Tradução (ESLT), os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e algumas escolas privadas locais oferecem há já alguns anos cursos de mandarim em vários níveis.
Os cursos da ESLT são conduzidos em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau, onde cerca de 900 pessoas estudam mandarim este ano, mais 48,4 por cento que o número de estudantes inscritos em 1995.
Números dos SAFP indicam que o número de inscritos em cursos de mandarim aumentou 87,3 por cento entre 1995 e este ano.
Na UM, em 1997 cerca de 500 estudantes frequentaram cursos de mandarim, número que este ano baixou para 400.
Lei Kun Teng explicou que a baixa no número de estudantes "não resulta de uma quebra nas inscrições, que continuam a aumentar, mas é um problema que resulta da falta de professores suficientes para darem resposta à procura".
Lídia da Luz, directora dos SAFP disse à Lusa que "todos aqueles que frequentam cursos de mandarim têm a noção da crescente importância que a língua oficial chinesa irá ter no futuro".
A directora da ESLT, Maria Manuela Paiva, partilha da mesma opinião e adianta que "o domínio do mandarim é visto como uma mais valia em termos de carreira depois da transferência da administração, sobretudo tendo em conta que a maioria dos estudantes de mandarim são funcionários da administração pública".
De acordo com a directora dos SAFP, a necessidade de um domínio do mandarim é especialmente sentida por quadros da administração local de nível médio e superior mais expostos a contactos directos com departamentos do governo central chinês.
Entretanto, a opinião generalizada entre os funcionários públicos foi manifestada por Ho Wai Lun, que disse à Lusa estar a aprender mandarim desde 1997 "porque é preciso sobreviver depois da transferência da administração".
A grande maioria dos cerca de 430.000 habitantes de Macau tem como língua materna o cantonês, o dialecto predominante no sul da China.
Lusa/Fim