ENTREVISTA: Governo de Macau tem dinheiro para apoiar mais as instituições sociais — provedor da Misericórdia (C/ÁUDIO)
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*** Por João Carreira, da agência Lusa ***
Macau, China, 08 mai 2019 (Lusa) -- O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau defendeu hoje que o Governo de Macau, com as receitas milionárias do jogo, tem condições para garantir mais apoios financeiros a instituições sociais.
Em entrevista à agência Lusa, António José Freitas considerou que o Governo do território que regista o segundo rendimento 'per capita' mais alto do mundo tem condições para "dar um maior apoio financeiro para as organizações e instituições de índole social sem fins lucrativos".
A poucos dias de comemorar 450 anos da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Macau, cuja situação financeira o provedor apelidou de "muito sólida", António José de Freitas assinalou, no entanto, as dificuldades vividas por outras organizações.
"A Santa Casa [da Misericórdia] é uma organização multissecular, teve sempre fundos próprios, mas é do meu conhecimento que existem muitas instituições estão a fazer um bom trabalho, [que] querem fazer mais e melhor, mas [que] não têm condições", destacou.
"Não têm condições precisamente pelo fraco apoio da parte do Governo. Acho que nesse aspeto o Governo podia fazer mais e melhor", sublinhou.
O provedor, contudo, ressalvou que "o Governo tem dado muita atenção" às necessidades sociais do território, traduzida "nas Linhas de Ação Governativa, que estão também muito orientadas para a parte assistencial, para a parte de apoio aos necessitados, mas", frisou, "há sempre uma pobreza escondida" à qual é preciso responder.
As comemorações da Santa Casa da Misericórdia de Macau, fundada em 1569 pelo bispo Belchior Carneiro têm lugar entre 13 e 18 de maio, marcadas ainda pela inédita realização do XII Congresso Internacional da Confederação Internacional das Misericórdias.
"A História da Santa Casa da Misericórdia de Macau confunde-se com a do próprio território de Macau, outrora sob administração portuguesa, hoje Região Administrativa Especial da República Popular da China", segundo a instituição na sua página na Internet.
A instituição tem um orçamento superior a 70 milhões de patacas (7,7 milhões de euros), com uma despesa mensal em salários superior a três milhões de patacas (próximo do valor que a instituição arrecada das rendas do seu património imobiliário) e um subsídio governamental que "representa apenas cerca de 25%", adiantou o provedor.
A obra social da Misericórdia em Macau abrange áreas como o apoio a deficientes, idosos e crianças.
Um centro de apoio a invisuais (80), um lar (135), uma creche (258) e uma loja social são estruturas que traduzem a atividade social da instituição que tem mais de 180 funcionários.
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