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Macau/99: Candidato Stanley Au relaciona problemas de segurança com sociedades secretas

Arquivo Lusa 1999

Macau, 08 Mai (Lusa) - O banqueiro e candidato ao cargo de Chefe do Executivo, Stanley Au Chong Kit, reafirmou hoje, durante um período de perguntas e respostas com membros da Comissão de Selecção (CS), que o problema da segurança em Macau é um problema das sociedade secretas.

Stanley Au, que durante duas horas respondeu a 23 perguntas dos membros da CS, defendeu uma "reestruturação radical das forças policiais" para lhes dar "mais produtividade e eficácia" de modo a serem "mais empenhados e firmes" na luta contra a criminalidade.

O candidato ao cargo de Chefe do Executivo disse ser necessário que as policias tenham "uma direcção e chefia imunes à corrupção" para poderem lutar contra as seitas secretas de Macau e para que, "em vez de caçarem os ratos, cacem os tigres".

"É preciso ter agentes infiltrados dentro das próprias sociedades secretas para nos podermos antecipar às suas acções criminosas", assinalou ainda o candidato.

Stanley Au citou ainda exemplos das actividade dos casinos no estrangeiro para afirmar que "uma forma de acabar com a agiotagem nos casinos" seria recorrer ao que se faz em Las Vegas, onde os clientes podem "obter empréstimos legais dos próprios casinos".

Na área social, o candidato defendeu a criação de órgão administrador dos hospitais de Macau, uma comissão especial para estudar a política de habitação social, um aumento de centros de  tratamento para toxicómanos e programas de reabilitação com vista à sua reintegração na sociedade.

Ainda no mesmo sector Stanley Au disse aos membros da CS que defende que a importação de mão-de-obra seja apenas para técnicos qualificados que não existam em Macau e que quanto aos trabalhadores não-diferenciados os mesmos devem estar preparados para apoiar, com descontos nos seus salários, a formação dos trabalhadores locais.

Numa altura em que o desemprego em Macau é superior aos cinco por cento da população, Stanley Au considera ser ainda necessário criar uma comissão para estudar e definir uma politica que resolva o problema dos trabalhadores não-residentes.

Stanley Au defende ainda que 15 por cento do orçamento do território deve ser canalizado para a educação e, no que toca à administração, o reforço e aumento das funções dos Serviços de  Administração e Função Pública.

Durante o período de duas horas de perguntas e respostas que continuará na tarde de hoje, Stanley Au preconizou ainda que as concessões de terras em Macau deveriam ser novamente feitas através de leilões e defendeu maiores facilidades fronteiriças para os turistas de Hong Kong, Taiwan e China de modo a desenvolver a economia de Macau a qual, na sua opinião, não deve depender apenas dos casinos.

"Há necessidade de simplificar as entradas no território e diversificar o turismo, tornando Macau num centro de convenções e de compras", disse Stanley Au corroborando assim a politica da administração portuguesa nessa área.

Stanley Au Chong Kit, 58 anos, presidente do Grupo Financeiro Delta-Ásia concorre com Edmund Ho Hau Wah ao cargo de Chefe do Executivo da futura Região Administrativa Especial de Macau que será criada a 20 de Dezembro de 1999.

Lusa/Fim